Guilherme Boulos perdeu a eleição em São Paulo, a joia da coroa eleitoral, e seu partido, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), não conquistou nenhuma prefeitura no país. Contudo, apesar da derrota eleitoral, Boulos emerge como uma figura central no campo progressista, possivelmente o principal herdeiro do espólio político do PT (Partido dos Trabalhadores).
Enquanto o PSOL falhou em converter popularidade em votos, Boulos encerra a eleição em uma posição melhor que seu rival, Pablo Marçal, que terminou isolado politicamente e em terceiro lugar. Se Boulos perdeu um cargo, ele ganhou relevância como liderança nacional de esquerda.
Essa ascensão de Boulos ocorre num momento de desgaste do PT, que, ao longo dos anos, envelheceu politicamente e não conseguiu formar uma nova geração de líderes conectados com as demandas e o espírito do mundo moderno. O PSOL, por outro lado, tenta se posicionar como o elo entre a esquerda e essa nova geração. No entanto, há uma contradição profunda: enquanto atrai o eleitorado jovem, o partido permanece preso a pautas que, para muitos, parecem desconectadas das reais necessidades da população.
O trabalhador, o pequeno empresário e a pessoa comum não estão em busca de debates identitários ou da legalização das drogas como prioridade. Suas preocupações diárias são mais urgentes e concretas: a fome, a falta de saneamento básico, o colapso do sistema de saúde e o descalabro da educação. O Brasil, de acordo com os resultados do PISA, continua estagnado em termos educacionais, e a crise nas redes públicas de saúde é visível a qualquer um que dependa desses serviços.
E foi justamente essa falta de propostas que dialoguem com o cotidiano do eleitor que levou Boulos a mais uma derrota. Apesar de se comunicar bem com parte da juventude, sua campanha, assim como a do PSOL, não conseguiu oferecer soluções tangíveis para os problemas mais prementes do país.
Assim, a esquerda brasileira se vê em uma encruzilhada: se deseja voltar a ter relevância eleitoral, precisará adaptar suas pautas e se reconectar com as demandas básicas do povo brasileiro. Enquanto isso não acontecer, a liderança de Boulos continuará forte em termos ideológicos, mas frágil no campo eleitoral.



