O que mais precisa acontecer para o governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas, admitir que há algo profundamente errado na sua política de segurança pública? A morte do jovem Natanael Venâncio, de apenas 19 anos, dentro de casa, baleado por policiais da Rocam, não é um fato isolado. É apenas mais um capítulo de uma rotina marcada pelo uso abusivo da força, pela truculência e pela lógica do confronto.
Sob o discurso de “tolerância zero”, o governador e seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite, alimentam uma polícia que mata sem pudor e depois tenta justificar o injustificável. Os números trazidos nesta edição da GAZETA são estarrecedores: 1.493 mortes em pouco mais de dois anos de governo. Só em 2024, o aumento foi de 95% em relação a 2022. Isso não é acidente. Isso é claramente um projeto. Tem método.
Enquanto o governo se esconde atrás de notas frias e investigações meramente protocolares, as periferias seguem velando e chorando seus mortos. Crianças, adolescentes e trabalhadores seguem sendo alvo de uma política que escolheu o extermínio como resposta para os problemas sociais. Não é falta de preparo — é opção. É o retrato de uma gestão que despreza direitos, vidas e dignidade.
A sociedade não pode naturalizar esse banho de sangue. É preciso cobrar, com urgência, que o governador e sua polícia deixem de tratar os pobres como inimigos. Segurança pública não pode ser sinônimo de licença para matar. Até quando?



