A ligação entre a religião e a política sempre rendeu perigosos frutos para a humanidade. Isso porque o bicho homem, com toda sua mania de grandeza, insiste em confundir seu papel de criatura com o de criador afim de sanar seu apetite por poder sobre seus iguais.
Com o presente ciclo de crescimento da extrema-direita no Brasil e no mundo, nota-se o uso contínuo do divino – e do profano – como armas políticas. Atenção ao termo “armas” ao invés de “ferramentas”.
É muito fácil utilizar o nome de Deus para manipular as massas, afinal o Todo Poderoso é conhecido pela não intervenção, mesmo quando descumprem o segundo mandamento. E é a plataforma perfeita, já que ir contra as dissimulações acaba sendo visto pelos seguidores dos dissimulados como uma afronta direta ao divino.
Mais perigoso que isso, no entanto, é o tratamento dado aos adversários, postos sempre como inimigos.
Na política, o instrumento da divergência é o argumento, a negociação. Como os reacionários são costumeiramente autoritários e cognitivamente limitados, é muito mais fácil sair do campo do debate e ir para o embate.
Há método quando membros da famigerada Bancada da Bíblia no Congresso, por exemplo, chamam membros do atual governo e seus apoiadores de “demônios”. Desumanizar é uma forma muito eficiente de aniquilação daquilo que não é espelho. Contra demônios, tudo é permitido.
Se colocando na posição de bastiões da vontade divina, os pseudo-templários tupiniquins se esquecem que, na verdade, há lugares especiais reservados no inferno dantesco aos hereges e hipócritas. Aguardemos o juízo.





