É inegável que as relações de trabalho, no Brasil e no mundo, vêm passando por profundas mudanças nas últimas décadas, sendo os cada vez mais sucessivos avanços tecnológicos, aliados ao vertiginoso crescimento populacional, os principais motivos para tal. O debate acerca do tema carece, portanto, de uma responsabilidade proporcional a sua importância, o que não tem ocorrido no cenário brasileiro.
Em 2017, durante o governo de Michel Temer, foi aprovada a Reforma Trabalhista, apresentada com o argumento de que a antiga legislação precisava ser atualizada e simplificada para que assim fossem gerados mais empregos, discurso que persuadiu grande parte da população a apoiá-la. Na prática, porém, o que se viu foi um desmonte dos direitos dos trabalhadores, além do fracasso em combater os altos números de desemprego.
Não que o resultado seja surpreendente, já que a própria experiência internacional mostra que a diminuição de direitos gera, quando muito, apenas subemprego. Exemplo maior é a lógica entre motoristas e aplicativos de transporte, que, sem regulação alguma, esfolam os trabalhadores brasileiros sem nenhuma contrapartida.
Recentes declarações do atual ministro do Trabalho têm trazido sopros de esperança, não necessariamente pelas propostas, mas por, pela primeira vez em anos, o governo brasileiro se posicionar em defesa dos trabalhadores e não apenas das grandes empresas.
É claro que a resposta não está em retornar ao modelo anterior, mas tão clara quanto é a necessidade de uma revisão drástica do atual.


