Com mais de um milhão de habitantes e localizado num ponto estratégico do estado de São Paulo, o Alto Tietê tem assumido cada vez mais suas características emergentes e, hoje, o desenvolvimento econômico e social não é mais uma utopia, mas uma possibilidade de médio e longo prazo. Para isso, no entanto, é imprescindível que a região se reconheça culturalmente como tal.
Aqui, assim como em todo o Brasil, os efeitos da globalização são sentidos e bem-vindos, mas há de se atentar à hegemonização cultural que acaba por assassinar identidades locais. A construção de uma cultura acontece, gradativamente, a partir de relações sociais locais e, ao não valorizá-la, o povo em questão não tem outra alternativa a não ser deixar de sê-lo.
Por isso a importância de valorizar manifestações como a Festa do Divino, de Mogi das Cruzes, ou a Festa da Cerejeira, de Suzano, por exemplo. Eventos cosmopolitas, com grandes artistas de nível nacional, como os famigerados rodeios que têm ocorrido, são bem-vindos, mas esse “intercâmbio” cultural deve ocorrer de forma enriquecedora e, para isso, os locais precisam se reconhecer.
Conhecendo a própria cultura, o indivíduo compreenderá a importância de mantê-la viva, protegendo assim sua identidade. Caso contrário, a antropofagia passa a ser apenas canibalismo.
Para o progresso, não se pode estar preso ao passado, mas é impossível pensar no futuro sem conhecer – e valorizar – a própria história. O futuro tem um coração antigo.


