Goste-se ou não do governo Lula ou de suas posições ideológicas, é difícil imaginar que alguém discorde que algumas medidas econômicas anunciadas pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se faziam necessárias; algumas delas trazem o pensamento: por que não foram feitas antes?
Os principais exemplos de distorções sem sentido que estão sendo corrigidas dizem respeito aos militares. Num contexto em que a palavra de ordem é “corte de gastos”, faz sentido que as atenções se voltem para a classe que representa 50,9% dos pensionistas da União.
Em 2017, a Reforma da Previdência, em nome do equilíbrio das contas públicas, mudou regras para aposentadoria, aumentando a idade mínima e o tempo de contribuição. Militares ficaram de fora, se aposentando aos 50 anos de idade.
Sem falar das absurdas pensões para filhas de oficiais – praças não gozam dos mesmos privilégios – falecidos ou, quem diria, expulsos das Forças Armadas. De acordo com Haddad, essa atrocidade será revista.
Vale destacar o timing perfeito para o anúncio. Toda vez que a pauta era levantada, insurgiam-se os supostos defensores da soberania nacional (a depender do caso). Valor mais que correto, se – como as descobertas da Polícia Federal das últimas semanas mostram – as maiores ameaças ao país não fossem uma parcela dos próprios militares.
O investimento do Ministério da Defesa deve, sim, ser alto, mas para fins de proteção das fronteiras e desenvolvimento de tecnologia, não para mordomias daqueles que odeiam, e atentam contra, a Democracia.



