A eleição de 2026 em São Paulo começa a ganhar contornos que vão muito além da reeleição dada como praticamente certa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O verdadeiro jogo, neste momento, está na definição de quem ocupará o cargo de vice na chapa. Se o atual vice, Felício Ramuth (PSD), aparece como favorito por uma escolha pessoal do governador e pela manutenção do arranjo de 2022, o tabuleiro político mostra que há forças organizadas dispostas a alterar esse desenho. E o nome que passou a circular com peso real nos bastidores é o do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).
André não é apenas mais um deputado com base consolidada. Ele preside o maior parlamento estadual da América Latina e foi eleito para o cargo com votação quase unânime: 89 votos na primeira eleição e 88 na recondução. Em um ambiente tradicionalmente fragmentado, isso não é detalhe, é demonstração de articulação. Sua trajetória eleitoral também revela crescimento consistente: eleito em 2010 com cerca de 86 mil votos, ampliou a marca para aproximadamente 165 mil em 2014, manteve 123 mil em 2018 e saltou para mais de 216 mil votos em 2022, sua maior votação.
Mas o movimento que colocou definitivamente seu nome no radar do Palácio dos Bandeirantes não nasceu apenas dentro da Alesp. Em dezembro de 2025, durante confraternização do PL em Suzano, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o Boy – mogiano e liderança histórica do Alto Tietê —, verbalizou o que até então era tratado com cautela somente nos bastidores. Diante de militantes e lideranças regionais, declarou:
“Somos o maior partido do Brasil. E você saiba de uma coisa, André? Vão ter que ouvir a gente para resolver o Governo do Estado de São Paulo. A nossa região [Alto Tietê] sempre foi abandonada.”
Valdemar foi além, ao afirmar que os políticos fortes do estado já não estariam concentrados apenas no interior tradicional, mas também na Zona Leste e no entorno metropolitano. E completou:
“Vamos fazer com que a gente tenha oportunidade, através do André do Prado, para a gente chegar no Governo do Estado. Vamos ter que construir isso.” O recado foi claro: o PL quer protagonismo. E quer protagonismo com identidade regional.
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Articulação
Após a fala pública, deputados estaduais do PL começaram a articular uma carta de apoio ao nome de André para vice-governador. O movimento ganhou adesões além da legenda, indicando que não se trata apenas de vontade partidária, mas de articulação política mais ampla.
Para Tarcísio, a decisão passa por cálculo estratégico. Manter Ramuth representa estabilidade. Escolher André significa consolidar aliança com o partido que controla a maior bancada da Câmara Federal e tem forte presença no Estado. E há um fator que não pode ser ignorado: governabilidade. Ter o presidente da Alesp como vice ampliaria a sintonia entre Executivo e Legislativo em um eventual segundo mandato.
Alto Tietê pode ganhar protagonismo estadual
André do Prado (PL) construiu sua carreira no Alto Tietê. Começou em Guararema como vereador, depois foi presidente da Câmara Municipal, vice-prefeito e prefeito. A região foi seu laboratório político e sua sustentação eleitoral ao longo de quatro mandatos consecutivos.
Nos bastidores regionais, a leitura é direta: se André alcançar o cargo de vice-governador, o Alto Tietê passa a ocupar posição inédita no núcleo do poder estadual. A fala do presidente do PL Nacional, Valdemar Costa Neto, o Boy, escancarou algo que vinha sendo discutido em conversas reservadas: a região quer deixar de ser coadjuvante e passar a influenciar decisões estruturantes do Estado.
A escolha da vice em 2026 não será meramente protocolar. Ela definirá o peso de cada grupo político no segundo mandato e poderá redesenhar o equilíbrio de forças dentro do governo. André do Prado hoje reúne três ativos claros: votação crescente, comando do Legislativo e respaldo do presidente nacional do seu partido.
O movimento está posto. O PL sinalizou que não ficará à margem da decisão. E o Alto Tietê, pela primeira vez em muito tempo, vê um dos seus nomes disputar espaço direto no topo do poder paulista.
Rodrigo Ashiuchi desponta como nome estratégico do PL
Quando um líder político ascende, o espaço que ele deixa não fica vago, ele é disputado. E no Alto Tietê, essa regra nunca foi tão explícita. Com o nome de André do Prado (PL) cada vez mais forte na corrida para vice-governador na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), outro quadro do Partido Liberal (PL) surge como herdeiro natural de seu capital político regional: Rodrigo Ashiuchi.
A transformação de André em protagonista dentro do PL, culminando no provável lançamento de seu nome para vice em 2026, abriria uma janela de oportunidades para quem orbita sua base política. E ninguém simboliza isso melhor do que Ashiuchi, ex-prefeito de Suzano e atual secretário do Verde e Meio Ambiente da capital paulista.
No dia 14 de dezembro de 2025, durante a confraternização oficial do PL de Suzano, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, o Boy, fez um comentário que mudou o tom da conversa sobre o futuro político da região. Além de destacar a necessidade de a legenda ser ouvida na definição da chapa estadual, Valdemar foi incisivo ao atribuir a Ashiuchi “status de grande nome da política regional”, elogiando sua trajetória e a força que ele construiu em Suzano e no Alto Tietê ao longo dos últimos anos.
O recado trouxe ao palco — literalmente — o nome de Ashiuchi como peça central do PL para o próximo ciclo eleitoral. Não como figura secundária, mas como liderança com projeção estadual, construída à sombra da consolidação regional do partido e fortemente associada à base que também sustentou André do Prado.
De prefeito a herdeiro político
A trajetória de Rodrigo Ashiuchi é profundamente enraizada no Alto Tietê. Eleito prefeito de Suzano em 2016, foi reeleito em primeiro turno em 2020 com larga margem de votos e consolidou um legado administrativo que lhe rendeu forte aprovação popular e reconhecimento entre lideranças locais e estaduais.
Após dois mandatos à frente da prefeitura, onde deixou como marca obras estruturantes e elevado índice de aprovação, Ashiuchi foi convidado a assumir a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que ampliou seu trânsito político institucional.
Essa migração do plano municipal para uma secretaria estratégica em São Paulo não apenas ampliou seu alcance, como sinalizou que o PL vê em Ashiuchi um quadro capaz de representar o Alto Tietê em patamares de relevância estadual, exatamente no momento em que o espaço de André do Prado em posições de destaque começa a ser disputado para 2026.
Politicamente, o movimento é duplo: consolida Ashiuchi como sucessor natural da base de André do Prado: ao passo que André mira um cargo majoritário, a base que o sustentou (lideranças municipais, prefeitos, vereadores e eleitores) precisa de um nome que a represente em 2026. E Ashiuchi foi expresso como esse nome pelo próprio comando partidário. Cria um eixo político regional robusto: o Alto Tietê passa a ter figuras distintas, porém complementares, no tabuleiro estadual, um no Executivo (André como vice) e outro no Legislativo (Ashiuchi possivelmente candidato a deputado estadual).




