Alguns eventos são considerados desrespeito às dezenas de mortes já contabilizadas na cidade
Por Aristides Barros / Foto: Reprodução
Os vereadores salesopolenses Lourenço Francisco de Oliveira Junior (PDT), o Lourenço Junior, Walace Braga Quirino (PSDB) e a vereadora transexual Raí Rebecca (PDT) teriam participado, na terça-feira (13), de uma celebração de aniversário.
A festa, onde houve aglomeração de pessoas, muitas delas sem usar máscaras – o que é flagrante desrespeito aos protocolos de proteção e prevenção à Covid-19 –, caiu nas redes sociais. As imagens do evento registradas em fotos e vídeos foram criticadas pelos internautas, que “caíram de pau” nos vereadores que caíram na farra.
Destaca-se que os três mandatários têm cargos importantes nas comissões parlamentares da Câmara de Salesópolis. Lourenço Junior (PDT) é presidente da Comissão de Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo. O detalhe fica por conta de Walace Braga Quirino (PSDB) ser presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, onde a Corregedora dessa comissão é a própria vereadora Rai Rebeca.
Cabe à Comissão de Ética e Decoro e a também à Corregedoria a função de avaliar a conduta de vereadores e abrir investigação contra os parlamentares caso esses venham a ter desvios de condutas. No caso da festa, e como a cidade está sob decreto da pandemia, que restringe uma série de atividades – entre eles a realização de festas e eventos –, os salesopolenses querem ver a resposta da Câmara aos vereadores festeiros.
A reportagem tentou contato com Loureço Junior na manhã de quarta-feira (14), via ligações telefônicas e mensagens pelo Whatsapp. O parlamentar sinalizou apenas as mensagens do aplicativo respondendo: “Bom dia, estou na estrada, indo pra São José dos Campos. Do que se trata?”. O jornal informou que o assunto seria a festa que ele participou e se o vereador poderia falar sobre o assunto. O parlamentar encerrou a conversa.
O jornal usou procedimento idêntico – ligações telefônicas e mensagens pelo Whatsapp – para falar com a vereadora Raí Rebeca, sobre o mesmo tema. Ela não respondeu a nenhum dos contatos. A mesmo forma de comunicação foi tentada com o vereador Walace Quirino. Ele também não retornou as ligações.
Mapa do Medo
Até o dia 14 de julho, segundo Boletim Covid-19 do Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê), Salesópolis tinha o registro 1.463 confirmados; 1.314 recuperados e 52 óbitos. Os números são repassados ao Condemat pela Secretaria de Saúde de Salesópolis.
A conduta do trio de vereadores e das pessoas presentes na festa é negativa para a luta contra a Covid-19. Joga por terra os esforços de pessoas comprometidas na prevenção e controle da doença, contribuindo para que ela aumente o poder de contágio e disseminação, o que aumenta a atuação dos profissionais de saúde, já exaustos com a carga de trabalho motivada pela Covid-19.
Cidade Reage
Embora atos como os participados pelo vereador sejam um problema para a área de saúde da cidade, Salesópolis está dando resposta à altura no combate à Covid-19.
De acordo com dados do Vacinômetro, atualizados no dia 13 de julho, o município conta com 50% de sua população vacinada. Ela está entre as cidades que lideram o ranking de vacinação no Alto Tietê.
Segundo os dados do Governo do Estado, Salesópolis já aplicou 11.283 doses, sendo que dessas, 8.381 são primeiras doses – das vacinas CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer, 2.476 dos mesmos imunizantes e 426 da vacina da Janssen, que é dose única. Ou seja, 8.807 pessoas já receberam ao menos uma dose das vacinas. O número corresponde a 51,05% da população geral do município. 16,82% da população já está com o esquema vacinal completo.
Em São Luiz do Paraitinga, vereador festeiro quase o perde o mandato
Na cidade de São Luiz do Paraitinga, o vereador Arildo Junior (PSD) foi visto e filmado em uma festa clandestina no dia 10 de abril. Imagens o mostram sem máscara e bebendo com um grupo de jovens. O vereador foi denunciado à Câmara por quebra de decoro e descumprimento de decreto sanitário.
Arildo Junior foi alvo de uma CPI por quebra de decoro. No dia da votação pela cassação ou não do parlamentar aconteceu o empate de votos e então o pedido de cassação foi arquivado.
A votação que decidiu o mandato do político festeiro ficou empatada, com quatro votos contra o vereador e outros quatro favoráveis. Dos nove vereadores, oito votaram. Arildo não poderia participar. Com o empate, a Câmara decidiu pelo arquivamento e manteve o parlamentar no cargo.




