Quem vê a técnica de enfermagem Andreia Novais em mais um intenso turno no Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes dificilmente imagina que ela também é uma estrela em ascensão de um esporte ainda pouco conhecido, porém extremamente exigente: o strongwoman. A modalidade testa força funcional, resistência e potência bruta — desafios tão intensos quanto a rotina hospitalar.
Guerreira no cotidiano, Andreia é forte no sentido literal. Capaz de erguer quase o dobro do próprio peso corporal, ela conquistou o 1º lugar na categoria Master (acima de 40 anos) do Grand Prix Brasil Ultimate Strongman, realizado em Mogi das Cruzes nos dias 24 e 25 do mês passado. Agora, direciona a energia para o dia 21 de fevereiro, quando disputará a etapa Static Monsters, novamente em Mogi.
A meta é ambiciosa: mais de 70 kg no Log Lift (cilindro com pegadas internas) e mais de 205 kg no Axle Deadlift (levantamento terra com barra grossa). A competição ocorre simultaneamente em vários países, e as melhores marcas garantem vaga no mundial, previsto para a Europa — possivelmente na Alemanha.
“Minha expectativa é conseguir a classificação e, a partir daí, iniciar a outra jornada: obter patrocínio para custear viagem, hospedagem, vestuário, equipamentos, treinamentos e outras despesas para representar o Brasil no mundial”, explica Andreia.
Ela lembra que já despontou entre as melhores do país, mas não conseguiu competir no exterior por falta de apoio financeiro.
Em 2022, Andreia venceu a seletiva mundial do Static Monsters na categoria Master e se classificou para a disputa em Londres, entre as dez melhores do Brasil. O sonho, porém, foi interrompido.
“É muito triste! A gente consegue se classificar, mas não embarca para disputar o título porque não angariou os recursos necessários. Torço para que o esporte conquiste mais popularidade a fim de atrair empresas interessadas em oferecer apoio em troca da divulgação da sua marca”.
Aos 46 anos, paulistana, casada com Paulo e mãe de Gustavo (25) e Gabriel (24), Andreia conta com apoio fundamental dentro da Santa Casa. A médica neonatologista Maria do Carmo Mocelin Leitão é entusiasta do esporte e garante suporte financeiro para que a atleta se mantenha nas competições. “Sem a ajuda da Dra. Maria do Carmo, seria impossível prosseguir”, revela Andreia, ao relatar que a amiga banca inscrições, vestuário e mensalidades da academia.
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Vida regrada
Com 115 quilos, Andreia mantém uma rotina rigorosa: treinos intensos sob comando da treinadora Lindicei Miho, alimentação rica em proteínas e carboidratos, descanso programado e disciplina para preservar a saúde mental. O equilíbrio, segundo ela, é essencial — inclusive nos plantões de 12 horas no Pronto-Socorro.
A entrada no strongwoman ocorreu há oito anos, após assistir a uma competição na TV. Curiosa, procurou a Sfall Strength, academia de Glauco Benigno, atleta de renome no strongman e precursor da modalidade no Alto Tietê. Em 2018, estreou com 2º lugar; em 2019, foi 3ª na categoria Open do Static Monsters; em 2021, 2ª no Strong for All Sul-Americano; em 2024, 2ª no Static Monsters (Master) nas provas de Log Lift (70 kg) e Axle Deadlift (205 kg). Em 2025, ficou fora por lesão no braço esquerdo. Em 2026, retornou ao topo — elevando as expectativas para o dia 21.
Na maioria das disputas, Andreia compete na categoria Master, que não limita o peso corporal. Ela prefere manter a compleição física a adotar dietas extremas. Mesmo assim, se houver empate de marcas, vence a atleta de menor peso corporal — o esporte premia quem levanta mais, pesando menos.
Interessados em patrocinar ou oferecer apoio financeiro podem entrar em contato pelo Instagram @andreianovais_strongwoman.
O vice-provedor da Santa Casa, Flávio Ferreira Mattos, elogia a profissional e a atleta:
“Aqui é uma profissional exemplar. Como atleta, merece todo nosso reconhecimento e torcida para que alcance as melhores marcas. Parabéns e muito sucesso, Andreia!”.






