Desde o início de 2025, sob gestão de José Luiz Furtado, o Zé Luiz, o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) tem adotado uma série de medidas para otimizar a gestão, reduzir custos e ampliar a cobertura de água e esgoto em Mogi das Cruzes. Em entrevista à GAZETA, o diretor da autarquia apresentou um balanço das ações realizadas até agosto e detalhou os investimentos previstos para os próximos meses.
Uma das primeiras iniciativas da atual gestão foi revisar contratos e licitações em andamento, o que gerou uma economia de quase R$ 3 milhões já no início do ano. “Também conseguimos reduzir em 12% as horas extras e economizar R$ 688 mil em energia elétrica com a adesão ao mercado livre de energia, além de utilizar fontes renováveis, colaborando com a sustentabilidade”.
Manutenção e operação
O diretor destacou que o foco da gestão tem sido a manutenção preventiva, incluindo limpeza de reservatórios e revisões em painéis elétricos, essenciais para o bombeamento e distribuição de água. Apesar das ações preventivas, emergências ainda ocorrem, especialmente em áreas sem reservação adequada.
A redução de perdas de água também é prioridade, embora o diretor ressalte que nem toda perda significa desperdício. Em regiões de regularização fundiária, a água distribuída é consumida, mas não faturada, sendo classificada como “perda social”.
Investimentos em esgoto e universalização
Atualmente, 54% do esgoto do município é coletado e tratado. Para ampliar a cobertura, o Governo do Estado anunciou um investimento de R$ 260 milhões em redes coletoras, dentro do projeto Renasce Tietê, em parceria com a SP Águas.
O investimento será viabilizado por meio de um convênio de cooperação entre o Semae e a SP Águas, e toda a obra será executada pela agência estadual em conjunto com os técnicos da autarquia. O convênio já foi assinado e aprovado pela Câmara Municipal, e atualmente os projetos estão sendo discutidos pelas equipes técnicas para definir os locais e os detalhes das intervenções.
Esse pacote integra o projeto Renasce Tietê, no qual Mogi das Cruzes desempenha papel fundamental, com o objetivo de despoluir o rio e garantir a coleta e destinação adequada do esgoto da cidade. As obras incluirão a construção de redes coletoras e estações elevatórias, com o esgoto sendo direcionado para tratamento na estação de Suzano, operada pela Sabesp.
Embora os tipos de obras já estejam praticamente definidos, ainda estão sendo realizados estudos técnicos detalhados para determinar onde e como as intervenções serão executadas, considerando as limitações topográficas da cidade. Os técnicos do Semae mantêm contato permanente com a SP Águas para definir todo o planejamento, enquanto a etapa seguinte ficará a cargo da agência, que irá licitar e colocar as obras em prática.
“Com esse investimento, a situação melhora muito. Eu não posso afirmar que nós vamos atingir o que está preconizado no marco regulatório do saneamento, mas nós vamos chegar bem próximo de universalizar a coleta e tratamento do esgoto na nossa cidade”.
No caso da água, a cobertura já é quase total: 99% da zona urbana recebe abastecimento potável do Semae ou da Sabesp. Em regiões rurais e núcleos isolados, soluções alternativas, como fossas sépticas, continuam sendo utilizadas, com limpeza realizada pela autarquia.
Tecnologia e inovação
O Semae também tem se destacado pelo uso de geotecnologia. A autarquia conta com um Centro de Controle Operacional que monitora a distribuição de água em tempo real e identifica problemas automaticamente, permitindo ação rápida das equipes. Além disso, a tecnologia auxilia no mapeamento da rede, monitoramento de águas pluviais e análise de dados, garantindo maior eficiência e qualidade na prestação de serviços.
“Nosso objetivo é automatizar processos e ampliar a eficiência do serviço, garantindo mais qualidade de vida para a população”, afirmou o diretor. Ele destacou que o trabalho está alinhado ao plano de governo da prefeita Mara Bertaiolli (PL). “Quero retribuir a confiança da prefeita, que me nomeou para esse desafio, e reafirmar meu compromisso de entregar resultados à altura dessa responsabilidade”. A satisfação dos moradores, medida pela Agência Reguladora Ares PCJ, é de nota oito.
Educação
O Semae também ampliou o programa de educação ambiental, que agora atende crianças a partir do quarto ano do ensino fundamental e se estende à comunidade, como no Jardim Santos Dumont II. “As crianças funcionam como porta-vozes do SEMAE, ajudando a comunidade a compreender a importância do saneamento e do uso correto da água”.
Regularização e transparência
A gestão atual também se deparou com irregularidades apontadas por auditorias anteriores, feitas ainda na antiga gestão. “A maioria dos apontamentos já havia sido registrada pelo Tribunal de Contas do Estado. Nosso trabalho foi entender essas situações e implementar ações corretivas, sempre seguindo as boas práticas de administração pública”.
O Semae planeja novos anúncios de investimentos para o mês do aniversário da cidade, reforçando a meta de atender integralmente ao marco regulatório do saneamento, garantindo água potável a todos e avançando na coleta e tratamento de esgoto.






