sábado, 21 fev, 2026

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Presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso pela PF por suspeita de vazar operação sigilosa

Investigação aponta que parlamentar teria orientado TH Joias e antecipado detalhes da Operação Zargun; STF autorizou prisão e buscas
Da Redação

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O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso preventivamente na manhã de quarta-feira (3) durante a Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para investigar o vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Zargun.

Agentes estiveram na Alerj no início da manhã e cumpriram mandados de busca na sala da presidência, enquanto Bacellar prestava depoimento na sede da Polícia Federal, no Rio. Minutos após o depoimento, o parlamentar foi detido preventivamente. Ele é suspeito de repassar informações que teriam antecipado detalhes da operação que mirava o deputado estadual TH Joias.

Segundo a PF, o vazamento comprometeu o andamento das investigações que resultaram na prisão de TH Joias. O objetivo do novo inquérito é identificar os responsáveis pelo repasse ilegal de informações e esclarecer vínculos com agentes públicos.

A operação desta quarta cumpre um mandado de prisão preventiva, oito mandados de busca e apreensão e um mandado de intimação, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.

Em nota, a PF afirmou que a Operação Unha e Carne busca “combater a atuação de agentes públicos envolvidos no vazamento de informações sigilosas, o que culminou com a obstrução da investigação realizada no âmbito da Operação Zargun”. A ação integra determinação do STF no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635 das Favelas, que delegou à Polícia Federal a investigação sobre a atuação de grupos criminosos violentos no Rio e suas conexões com o poder público.

Compra e venda de armas

No dia 3 de setembro de 2025, o deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, foi preso por suspeita de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho. De acordo com as investigações, ele atuava como intermediário entre fornecedores e integrantes da facção criminosa.

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Motivo da prisão de Bacellar

As comunicações interceptadas pela PF mostram que, na véspera de sua prisão, TH Joias ativou um novo número de celular e, em seguida, entrou em contato com Bacellar, a quem chamou de “01”. A PF afirma que Bacellar orientou o deputado a remover objetos de sua residência para ocultar provas. Os dois também falaram por esse novo número na manhã da operação, antes da detenção de TH Joias.

No pedido de prisão preventiva encaminhado ao STF, a PF apontou “indícios contundentes de que as operações policiais foram frustradas pelo vazamento prévio de informações sigilosas” por parte de Bacellar. A corporação reforça que TH Joias é acusado de usar o mandato para favorecer lideranças do Comando Vermelho e intermediar negociações de armas e drogas.

“Os elementos reforçam a periculosidade da organização criminosa investigada, sua profunda infiltração no poder público fluminense e a necessidade de aprofundamento das investigações para interrupção das atividades delitivas e a correta elucidação dos fatos”, destacou a PF.

Além de decretar a prisão, o ministro Alexandre de Moraes determinou o afastamento de Bacellar do cargo. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em quatro endereços ligados ao parlamentar, incluindo gabinetes na Alerj.

Alerj deve decidir sobre a prisão

A decisão sobre manter ou revogar a prisão do presidente da Alerj deve ser tomada pela própria Casa nos próximos dias. Desde decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, as assembleias legislativas têm poder para revogar prisões de deputados estaduais, ampliando a eles as imunidades previstas no Artigo 53 da Constituição Federal.

Com base no Artigo 27 da Constituição, assembleias estaduais replicaram essa regra, garantindo que deputados estaduais só podem ser presos em flagrante por crime inafiançável, com decisão referendada pelo plenário da Casa.

Casos anteriores mostram precedentes dessa atuação: em 2017, a Alerj revogou as prisões de Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi; em 2019, a Casa também soltou cinco deputados detidos na Operação Furna da Onça.

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