As redes sociais inundaram nossas cabeças com uma avalanche de informações irrelevantes. Em vez de conhecimento, consome-se ruído. Em vez de reflexão, atalhos.
Surgiram “coachs” que afirmam que ricos fazem A em vez de B, como se trajetórias humanas pudessem ser reduzidas a manuais simplistas. Outros prometem libertar pessoas de “travas invisíveis” que supostamente impedem o sucesso — sempre mediante cursos, mentorias ou fórmulas prontas. A responsabilidade nunca está no indivíduo; está sempre em algo externo que pode ser comprado.
Há também a elite do relógio caro: a crença de que status, aceitação e prosperidade dependem do que se ostenta no pulso. Como se o valor do tempo fosse medido pelo preço do acessório que o marca. Símbolos substituem conteúdo; aparência toma o lugar da competência.
A internet ficou tão vazia que agora até o bairro onde alguém mora passou a ser responsabilizado por seu baixo crescimento financeiro. Ignoram-se fatores estruturais reais, mas também se elimina o papel das escolhas, do esforço e da disciplina — tudo para evitar o desconforto da responsabilidade pessoal.
O mais preocupante, porém, não é a existência desse discurso raso, mas o fato de que tantas pessoas o levam a sério. Não porque falte inteligência, mas porque sobra ansiedade. Em um ambiente de incerteza permanente, promessas simples oferecem alívio imediato, ainda que cobrem caro no longo prazo.
Assim como nos dias do profeta Samuel, o povo pediu um rei. Mesmo sendo guiados por Deus, preferiram se submeter a uma autoridade visível, alguém a quem pudessem transferir decisões e responsabilidades. Queriam ser “como as outras nações”, ainda que isso significasse abrir mão da autonomia e da liberdade.
Os falsos reis modernos vestem terno, vendem cursos e oferecem pertencimento em troca de obediência intelectual. Segui-los dispensa pensamento crítico, mas cobra um preço alto: tempo perdido, dinheiro mal alocado e frustração acumulada.
Não importa o valor do carro, a marca da roupa ou o relógio no pulso. Crescimento real exige estudo, disciplina e compreensão básica de como o dinheiro funciona. Seja na vida pessoal ou na gestão de uma empresa, prosperar passa por princípios simples e pouco glamourosos: planejamento, boa gestão e controle de gastos.
Gastar menos do que se arrecada não é um mantra motivacional — é apenas matemática. E, ao contrário dos discursos vazios, ela não depende de fé em gurus, símbolos ou reis. Apenas de responsabilidade.
>> Entre no nosso grupo do WhatsApp – clique aqui.





Excelente informações, precisamos de de mais como essa .