No Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos, surgiu uma novidade anunciada como revolucionária: o serviço de lavagem de roupas self-service. Algo comum há décadas na Europa e nos Estados Unidos agora chega ao mercado brasileiro com uma promessa sedutora — economia de dinheiro e, principalmente, de tempo.
A propaganda é clara: lavar roupas fora de casa seria mais barato e mais rápido. Mas será?
Na prática, lavar roupas em casa custa, em média, entre R$ 14 e R$ 40 por mês, dependendo do volume e da frequência. É um valor muito baixo do ponto de vista financeiro, ainda que exija tempo e algum trabalho doméstico. Já o serviço self-service cobra cerca de R$ 32 a R$ 40 por lavagem, considerando o ciclo completo de lavar e secar.
Ou seja, em termos estritamente monetários, a conta não fecha a favor da lavanderia.
O argumento, então, migra para o tempo. Vende-se a ideia de rapidez e praticidade, mas pouco se fala sobre o deslocamento. Mesmo que a lavanderia esteja “na esquina”, existe um custo inevitável: sair de casa, caminhar até o local, aguardar o ciclo da máquina ou retornar mais tarde para retirar as roupas.
Nesse cenário, o consumidor precisa escolher entre permanecer na loja — sem produzir nada — ou ir e voltar duas vezes. Em casa, ao contrário, é possível colocar a roupa na máquina e, enquanto o ciclo acontece, realizar outras tarefas, trabalhar, estudar ou simplesmente descansar.
Esse tipo de serviço, portanto, surge para tapar um buraco estrutural das grandes cidades: apartamentos cada vez menores. A lógica é a mesma dos depósitos espalhados pela cidade, que armazenam fora aquilo que já não cabe dentro de casa.
A moradia encolheu a tal ponto que atividades básicas do cotidiano foram terceirizadas. Não por escolha, mas por falta de espaço. Quando lavar roupa fora de casa passa a ser tratado como modernidade, talvez o problema não esteja na máquina — mas no modelo de cidade que transformou o mínimo em luxo.
Ao empresário, fica um ponto de atenção. Inovar não é, necessariamente, criar algo novo, mas executar bem aquilo que já funciona. Em muitos casos, a busca por modismos e soluções “modernas” apenas desloca custos e fragiliza a proposta de valor. O mercado recompensa menos a invenção constante e mais a eficiência consistente. Nem toda tendência merece ser seguida; muitas vezes, o melhor negócio é simplesmente fazer bem o básico.






