sábado, 21 fev, 2026

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O ciclo do rastro de sangue

Da Redação

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Como quem se acostuma com o barulho de uma obra ao lado de sua casa, o povo brasileiro se acostumou com cada vez mais operações policiais cinematográficas, que deixam para trás rastros de sangue, lágrimas e cinismo populista. Pior para os moradores das periferias, onde única e “coincidentemente” esse tipo de ação ocorre.

Em semanas como essa, quando foram mortas 45 pessoas em ações da polícia no litoral de São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia, é comum ver a exaltação do sangue derramado, como se fossem casos de sucesso no combate ao crime. Ledo engano.

A triste realidade é que o cidadão comum não se importa com o destino dos que considera marginais, e os políticos sabem disso, manipulando a opinião pública através do sadismo de agentes do estado, o qual incentivam inescrupulosamente. A tarefa – inegavelmente ingrata – é fazer o exercício de encarar as questões de segurança pública com o cérebro e não com o fígado.

É compreensível a sanha dos policiais paulistas por vingança após o assassinato de um colega, no entanto não se pode normalizar a vingança enquanto motivador de algo tão sério; tampouco permitir que agentes da lei ajam em desconformidade com ela. Ações como a do Guarujá tornam aqueles policiais tão criminosos quanto aqueles que eles pretendem combater.

Apesar da cultura excludente e violenta do Brasil para consigo mesmo, principalmente seus expoentes pretos e pobres, este tipo de operação data dos últimos 60 anos, herança da ditadura militar, e neste período não se nota a diminuição da criminalidade. Até quando alimentaremos esse ciclo?

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