A música e a espiritualidade caminham lado a lado na vida do mogiano Victor do Cruzeiro. Aos 27 anos, o cantor, compositor e percussionista encontrou no Candomblé não apenas sua fé, mas também a inspiração para construir uma carreira artística voltada à cultura de matriz africana.
Antes de se tornar o artista Victor do Cruzeiro, surgiu o Ogan Victor, função responsável por conduzir os cânticos e a musicalidade das cerimônias religiosas do Candomblé.
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“As pessoas começaram a dizer que eu deveria levar o meu axé, a minha voz e o meu brilho para fora da casa de Candomblé. Foi assim que nasceu o Victor do Cruzeiro”, conta.
A relação com a música começou cedo. Influenciado pelo pai, que tocava cavaquinho, pandeiro e saxofone, Victor descobriu o talento aos cinco anos, quando passou a tocar atabaques na religião. Hoje toca também violão, cavaquinho, timbal e repique, e compõe canções inspiradas em sonhos e na espiritualidade.
Com três anos de carreira, o artista apresenta um repertório que mistura samba de roda, samba de axé e músicas de matriz africana. Já se apresentou em diversas cidades do estado de São Paulo, em casas de shows, eventos e celebrações religiosas.
“Muitas pessoas chegam para agradecer e dizem que uma cantiga ou um samba ajudou a enfrentar momentos difíceis. Isso não tem preço”, afirma.
Para Victor, o Candomblé foi também um caminho de cura. “O Candomblé não é um bicho de sete cabeças. É uma religião que acolhe, ajuda pessoas e foi um lugar de cura para mim. Se não fosse o Candomblé, não existiria nem o Ogan Victor, nem o Victor do Cruzeiro”, afirma.
O artista tem como objetivo levar o trabalho para todo o país sem abrir mão de sua essência. “Não faço isso por vaidade. Quero levar minha raiz, minha essência e meu axé para as pessoas. Espero que minha voz percorra o Brasil e que elas conheçam quem é o Victor do Cruzeiro por meio da música”, afirma.