A prefeita de Mogi das Cruzes, Mara Bertaiolli (PL), afirmou nesta segunda-feira (6) que não aceitará que os moradores da cidade paguem pedágio na rodovia Mogi–Dutra. Em coletiva de imprensa, após uma reunião de trabalho com vereadores, ela garantiu que a administração municipal está atuando politicamente e, se necessário, recorrerá à Justiça para barrar a cobrança.
Segundo Mara, a reunião abordou assuntos estratégicos para o município, entre eles o contrato de concessão firmado durante a gestão estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A prefeita destacou que há consenso entre Executivo e Legislativo municipal contra a medida e reafirmou que usará “toda a força política e legal” para defender os interesses da população.
“Nós não vamos permitir que o mogiano pague o pedágio. É uma das maiores injustiças que a cidade está recebendo. Eu, enquanto prefeita, vou tratar esse assunto com muita responsabilidade e seriedade para que Mogi não seja penalizada por algo que foi mal conduzido no passado”.
Mara destacou que esse é mais um problema herdado da gestão do ex-prefeito Caio Cunha (PODE), que dizia estar lutando contra a cobrança. No entanto, segundo a Procuradoria do município, a ação judicial proposta pela antiga administração não pedia diretamente a isenção da tarifa para os mogianos, tratando apenas sobre a licitação da concessão.
Agora, a prefeita afirma que está “correndo contra o tempo” para impedir a cobrança, prevista para começar já no próximo mês. Caso não haja acordo político com o Estado, a prefeitura estuda ingressar com novas ações judiciais para garantir a isenção aos moradores. “Nós estamos estudando novas medidas judiciais específicas para assegurar a isenção. Tudo está sendo feito com responsabilidade e dentro da legalidade”.
Confira a declaração da prefeita Mara Bertaiolli
Diálogo com o governo estadual
A prefeita Mara Bertaiolli destacou que mantém um diálogo constante com o Governo do Estado e com a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) para defender os interesses da população. Segundo ela, se não houvesse essa interlocução, a cobrança já estaria em vigor.
“Se eu não tivesse esse bom relacionamento, o mogiano já estaria pagando o pedágio. Eu não fico fazendo vídeo para mostrar que estou trabalhando. Eu quero resultado”.
A prefeita afirmou que o governador Tarcísio de Freitas tem sido “respeitoso e aberto ao diálogo”, mas ainda não tomou uma decisão final sobre o assunto. “Em alguns municípios ele já desistiu da cobrança. Por que não Mogi?”.
No dia 29 de agosto, a prefeitura enviou um ofício ao governador, no qual afirma que o objetivo da atual gestão é “corrigir com justiça e determinação” um dos maiores erros da história recente do município. No documento, a administração destaca que, em 2024, o tema “não recebeu a devida atenção por parte da Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes”.
Para reverter o cenário, a prefeitura solicita alterações no contrato de concessão, de forma que veículos com placas registradas em Mogi sejam isentos do pagamento de pedágio, além da definição de compensações em benefícios concretos à população, como investimentos, que ainda não estão claramente definidos em número ou natureza.
Sem contrapartidas oficiais
Durante a coletiva, Mara negou que existam contrapartidas oficiais para o município em troca da cobrança. “Não tem nada. Nem estrada, nem ponte. Nada foi assinado ou acordado”, garantiu. Ela ressaltou que qualquer compensação futura deve envolver melhorias estruturais significativas, mas que a prioridade é garantir que os mogianos não paguem para entrar e sair de sua própria cidade.
Parceria com Arujá
Mara também destacou a articulação conjunta entre Mogi e Arujá para impedir a cobrança. Segundo ela, os dois municípios estão alinhados politicamente.
A previsão de início da cobrança é para o próximo mês, mas a prefeita garantiu que não medirá esforços políticos e jurídicos para impedi-la. “Enquanto eu tiver força política, vou defender Mogi das Cruzes todos os dias”.




