O caso do cachorro Orelha, que chocou o País, expôs de forma cruel uma realidade que muitos preferem ignorar: os maus-tratos a animais seguem presentes no cotidiano brasileiro, apesar da comoção pública e das leis existentes. O episódio ganhou repercussão nacional, mas a pergunta que precisa ser feita é outra, e é mais incômoda: como o Alto Tietê lida com essa questão?
A região registra avanços importantes, como ações de resgate, campanhas de adoção e canais oficiais de denúncia. Ainda assim, a proteção animal segue mais reativa do que preventiva. Falta estrutura permanente, fiscalização contínua e políticas públicas que não dependam quase exclusivamente do esforço de ONGs e protetores voluntários, frequentemente sobrecarregados.
Também é preciso olhar para o papel da sociedade. A indignação que explode nas redes sociais nem sempre se traduz em atitudes concretas. Abandono, negligência, reprodução descontrolada e posse irresponsável continuam sendo tratados como problemas menores. Maus-tratos não começam apenas na agressão explícita, mas no descaso diário.
As leis existem e são mais rigorosas, mas a sensação de impunidade persiste. Denúncias que não avançam e punições pouco visíveis enfraquecem o caráter educativo da legislação. Sem responsabilização efetiva, a violência se repete.
O caso Orelha deve servir menos como episódio isolado e mais como alerta permanente. Uma região que aprende a proteger seus animais demonstra, acima de tudo, respeito à vida, algo que não pode depender apenas da comoção do momento.






