As dez cidades do Alto Tietê chegam a 2027 com um marco histórico nas finanças públicas: pela primeira vez, as Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO) somam mais de R$ 10 bilhões. Ao todo, são R$ 10,2 bilhões em receitas e despesas estimadas para o próximo exercício financeiro. O número representa crescimento de 9,2% em relação ao conjunto das LDOs de 2026, que totalizavam R$ 9,3 bilhões. O avanço é superior ao dobro do IPCA projetado para 2027.
De acordo com o mais recente Relatório Focus do Banco Central, o mercado financeiro estima inflação de 4,18% para o próximo ano. Para o economista Caio Araújo, secretário municipal de Finanças de Arujá e coordenador da Câmara Técnica de Finanças do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat+), o resultado indica uma perspectiva positiva para as finanças municipais da região.
“Em tese, esse cenário aponta para uma expansão real da capacidade fiscal da região, embora sua efetiva concretização dependa do comportamento da economia e da realização das receitas previstas”, explica.
Mestrando em Economia e Mercados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Araújo destaca ainda que as LDOs de 2027 foram elaboradas em um contexto de transição da Reforma Tributária:
“Embora seus impactos financeiros ocorram de forma gradual, é natural que esse novo cenário já influencie as premissas utilizadas pelos municípios, especialmente diante da necessidade de planejamento de médio e longo prazo e da adaptação ao novo modelo de repartição das receitas públicas”.
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Os maiores incrementos
Entre os dez municípios, Mogi das Cruzes lidera em valores absolutos: o maior orçamento da região salta de R$ 3,1 bilhões para R$ 3,3 bilhões, um acréscimo de aproximadamente R$ 264 milhões, o maior incremento financeiro da região, apesar do crescimento percentual de 8,5% estar abaixo da média regional.
Itaquaquecetuba registra o segundo maior incremento absoluto, com alta de R$ 172,2 milhões (11,9%), e se aproxima cada vez mais de Suzano: em 2027, a diferença entre os dois orçamentos cai para R$ 164 milhões, ante R$ 253 milhões em 2026. Suzano, por sua vez, registra crescimento de 4,9%, um dos mais modestos da região, com orçamento passando de R$ 1,705 bilhão para R$ 1,788 bilhão.
Poá lidera em percentual
Em termos percentuais, Poá apresenta o maior crescimento da região: 20,9%. É preciso considerar, no entanto, que o valor de referência de 2026 corresponde à estimativa apresentada pelo município na audiência pública da LDO, em abril do ano passado. A LDO 2027, por sua vez, prevê receitas de R$ 589,7 milhões.
Segundo o economista consultado pela GAZETA, as diferenças entre as projeções não significam, por si só, melhor ou pior desempenho das administrações municipais.
“Diferenças entre os percentuais projetados não significam, por si só, melhor ou pior desempenho da gestão fiscal. Elas refletem, sobretudo, as expectativas de cada município quanto ao comportamento da arrecadação própria, das transferências constitucionais e legais, do desempenho da economia e das demais variáveis consideradas na elaboração da proposta orçamentária”.