terça-feira, 18 ago, 2026

Justiça absolve Lisandro Frederico após quase sete anos de investigação

Sentença aponta contradições nos relatos, ausência de registros de acusadoras no gabinete e falta de provas de que repasses tenham sido exigidos pelo ex-vereador
Da Redação

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Após quase sete anos de investigação e processo judicial, o ex-vereador de Suzano Lisandro Frederico foi absolvido das cinco acusações de concussão que respondia na Justiça. A decisão é do juiz José Eugênio do Amaral Neto, da 2ª Vara Criminal de Suzano, que julgou improcedente a pretensão acusatória e absolveu Lisandro.

O caso teve forte repercussão política desde 2019, quando Lisandro ainda exercia mandato de vereador. O caso começou com uma denúncia anônima em 2019 e avançou a partir dos relatos de cinco mulheres ligadas à antiga equipe e à ONG PAS. Entre as acusadoras estavam ex-assessoras que haviam sido desligadas pelo próprio Lisandro antes do surgimento das acusações.

Os relatos das ex-assessoras deram origem a dois pedidos de cassação na Câmara Municipal. Os procedimentos foram arquivados, sendo que um deles chegou a ser anulado pela Justiça. A acusação também ganhou ampla repercussão pública e política antes da conclusão da investigação criminal.

Contradições e provas

Ao confrontar depoimentos com áudios, mensagens, registros oficiais e documentos financeiros, a sentença identificou contradições em pontos importantes da acusação. Diversas testemunhas afirmaram nunca ter sofrido ou presenciado exigência de pagamento para obtenção ou manutenção de cargos, incluindo pessoas que trabalharam durante anos no gabinete de Lisandro.

Um dos pontos destacados pelo juiz foi a existência de pessoas indicadas por Lisandro para trabalhar na Administração Pública que não realizavam qualquer repasse. Para o magistrado, se a intenção fosse obter vantagens financeiras por meio das indicações, não faria sentido indicar justamente pessoas sobre as quais sabia não possuir esse domínio.

Outro confronto envolveu as supostas reuniões no gabinete. Duas acusadoras afirmaram participar periodicamente de encontros onde teriam ocorrido cobranças e repasses. Por determinação do próprio Juízo, foram apresentados os registros oficiais de acesso à Câmara, que não registravam a presença dessas mesmas acusadoras no local.

Áudios também foram considerados na decisão. Em uma gravação feita durante o desligamento de uma assessora, Lisandro se oferece para ajudá-la a concluir a faculdade e prestar auxílio financeiro até que encontrasse outro emprego. O juiz classificou como “inverossímil” que alguém que supostamente obtinha vantagem financeira do salário da funcionária, depois de dispensá-la, se oferecesse para custear seus estudos e ajudá-la financeiramente.

A sentença também analisou a mudança de versão de uma ex-assessora, que inicialmente negou a existência do crime e posteriormente alterou seu depoimento após um desentendimento com Lisandro. Mensagens e gravações registraram manifestações sobre a mudança do depoimento e a mágoa decorrente do conflito. O magistrado apontou indícios de que a alteração da versão decorreu das desavenças internas da ONG.

Análise financeira

As finanças de Lisandro também foram investigadas. Seus extratos bancários não identificaram repasses das acusadoras ou da ONG para suas contas, e a documentação fiscal não apontou evolução patrimonial incompatível. Documentos financeiros da ONG, por sua vez, registraram despesas regulares relacionadas às atividades da entidade e à causa animal.

Ao final, o juiz concluiu que as provas produziam “dúvida razoável acerca da exigência da vantagem indevida” e afirmou ser “impositiva a absolvição”. No dispositivo, decidiu: “julgo improcedente a pretensão acusatória e absolvo LISANDRO LUIS FREDERICO”.

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Lisandro afirmou que a decisão encerra um período que deixou consequências pessoais e políticas.

O ex-vereador de Suzano, Lisandro Frederico | Foto: Divulgação

“Foram quase sete anos de investigação, quebras de sigilo, depoimentos, mensagens e áudios para confirmar o que sustento desde o primeiro dia: essa acusação é fantasiosa. Nenhuma prova, em todo esse tempo, conseguiu sustentar a mentira que foi inventada.

A absolvição representa o restabelecimento da verdade que sempre carreguei comigo. A mim ficam a tranquilidade e a honra de ter enfrentado tudo até o fim. A quem me acusou, fica agora a vergonha de explicar por que fez da Justiça um palco e da mentira um instrumento de perseguição política.

Esse processo deixa cicatrizes que o tempo talvez não apague, mas também me trouxe aprendizados sobre lealdade, Direito, política e pessoas. Não saio dessa história como entrei. Saio muito mais preparado para tudo aquilo que ainda pretendo construir”, afirmou o ex-vereador.

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