terça-feira, 22 set, 2026

Jovem sofre hemorragia após andar na Montezum, do Hopi Hari; entenda os riscos

Neurocirurgião explica como os movimentos bruscos da montanha-russa podem provocar lesões no cérebro e na coluna cervical
Felipe Alves

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O que era para ser um passeio no Hopi Hari terminou com uma jovem de 28 anos hospitalizada e com sequelas neurológicas graves. Júlia Bossoni sofreu uma hemorragia intracraniana após andar na Montezum, uma das principais atrações do parque. O caso foi exibido pelo Fantástico no último domingo (20) e chamou atenção para uma questão: como uma pessoa pode sofrer uma lesão no cérebro em uma montanha-russa sem necessariamente bater a cabeça?

De acordo com o neurocirurgião Dr. Marcio Rassi, isso pode acontecer por causa da movimentação do cérebro dentro do crânio. Diferentemente do que muita gente imagina, o órgão não fica preso à estrutura óssea. Ele é envolvido pelo líquido cefalorraquidiano, conhecido como líquor. Dessa maneira, quando o corpo sofre uma aceleração ou desaceleração muito rápida ou passa por mudanças bruscas de direção, o cérebro também pode se movimentar.

É justamente esse tipo de situação que pode ocorrer em uma montanha-russa. A combinação de acelerações, freadas e mudanças rápidas de direção faz com que as forças aplicadas ao corpo também sejam transmitidas para a cabeça e para a região cervical.

Segundo o neurocirurgião, dependendo da intensidade do movimento e da posição do corpo, pode haver sobrecarga na musculatura, nos ligamentos e em estruturas da coluna cervical, como os discos intervertebrais.

No cérebro, forças de aceleração e rotação podem provocar movimentos em relação ao crânio. Esse deslocamento pode estirar fibras nervosas e estruturas vasculares e, em determinadas situações, provocar hemorragias.

“Então a gente pode ter pequenas hemorragias intracerebrais e até mesmo lesão de vasos cerebrais e cervicais devido a esses movimentos bruscos”, explica Rassi.

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Qualquer pessoa pode sofrer uma lesão?

De acordo com Rassi, uma pessoa saudável também pode sofrer uma lesão grave durante uma atividade desse tipo, embora situações como essa sejam menos frequentes.

O risco pode ser maior em pessoas idosas, que apresentam atrofia cerebral, e em quem utiliza medicamentos anticoagulantes, que aumentam a possibilidade de hemorragias. A ausência desses fatores, porém, não significa que pessoas jovens estejam livres de sofrer lesões.

Após andar em uma montanha-russa, sintomas como euforia, náusea ou susto podem ocorrer por causa da descarga de adrenalina. A atenção deve aumentar quando os sinais persistem ou pioram.

Dor de cabeça intensa ou progressiva, vômitos, desmaio, sonolência excessiva, confusão, convulsão ou qualquer sintoma inédito que não esteja melhorando são sinais de alerta e indicam a necessidade de procurar atendimento médico.

“Qualquer outro sintoma que seja inédito e que não esteja melhorando, que não possa ser atribuído só àquela emoção depois do passeio, o indivíduo deve, sim, procurar um atendimento médico para verificar se não há uma situação mais grave acontecendo”, orienta.

Cuidados

O neurocirurgião reforça que, para quem pretende andar em uma montanha-russa, é importante seguir as regras da atração, respeitar os limites de altura e utilizar corretamente o sistema de segurança. Também é necessário manter as mãos dentro do brinquedo e observar as restrições indicadas pelo parque para pessoas com determinadas condições de saúde.

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