sábado, 21 fev, 2026

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Ignorado por Sabesp e prefeitura, córrego em Itaquá põe em risco os moradores

Moradores do bairro dos Batistas, em Itaquaquecetuba, convivem há anos com esgoto a céu aberto da Sabesp; empresa nega envolvimento
Guilherme Alferes

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Há cerca de oito meses, a GAZETA denunciou um flagrante descarte irregular de esgoto sendo feito no quintal de uma família no bairro dos Batistas, em Itaquaquecetuba. Na última quinta-feira (7), a reportagem retornou ao local e atestou que esteve lá mais vezes que qualquer agente da Sabesp, responsável pelo feito, ou da Prefeitura de Itaquaquecetuba. O resultado é a revolta de famílias que, ignoradas, correm risco de saúde e um meio ambiente cada vez mais deteriorado.

LEIA reportagem publicada anteriormente clicando aqui

O caso teve início com um vazamento de esgoto na rua. Incomodados, os moradores recorreram à companhia de saneamento para resolver. Os trabalhadores da Sabesp, então, desviaram o vazamento para escoar no terreno do autônomo Mário Marcelo da Silva, 54, dizendo ser provisório, e nunca mais voltaram.

Silva contou que, após a publicação da matéria, dois homens foram ao local dizendo ser representantes da Sabesp, viram a situação, concordaram que aquilo estava errado e foram embora, sem deixar qualquer identificação ou telefone para contato. “Achei que eles iam fazer alguma coisa, mas não fizeram foi nada.”

A única coisa que mudou de lá para cá foi o tamanho do estrago, para as pessoas e para o bioma. A largura do córrego e o brejo que se formou nos fundos do terreno aumentam a cada dia. Os vizinhos de Silva tiveram de reforçar as bases dos muros de suas casas, para que a água corrente não provocasse nenhum desmoronamento.

Além do chiqueiro – e da criação de porcos – que o irmão de Silva desativou por conta da contaminação, a família teve de furar um segundo poço para a irrigação e trato dos animais. O antigo está inviabilizado.

O contato com esgoto, direto ou indireto, é um causador de graves doenças, como diarreias, leptospirose, hepatite A, febre tifoide, febre amarela, dengue, zika, Chikungunya, etc. De acordo com o Instituto Trata Brasil, 11.544 pessoas morreram no país, em 2023, em decorrência de questões relacionadas à falta de saneamento básico.

O fundo da propriedade, para onde o esgoto se destina, é uma área de proteção ambiental. Os efeitos do contato direto da vegetação nativa com esse pântano podre podem ser vistos a olho nu, com as árvores morrendo uma a uma.

Silva conta que procurou também a Guarda Ambiental, da Prefeitura itaquaquecetubense, e também foi ignorado:

“A viatura da Guarda Ambiental estava passando e eu chamei para mostrar a situação. Eles olharam e disseram que não era com eles. Eu lembro que no dia eu tinha juntado um mato para ‘tacar’ fogo e eles falaram que aquilo não podia. Quer dizer, eles se preocupam com um matinho, mas esse esgoto aqui não tem nada a ver com eles.”

Sabesp nega envolvimento

Procurada, a Sabesp negou que o descarte irregular de esgoto seja sua responsabilidade. De acordo com a companhia, o bairro dos Batistas “ainda não conta com rede coletora de esgoto” e “as obras para início da operação do sistema de coleta e tratamento de esgoto já estão em andamento e fazem parte das obras do Programa IntegraTietê”.

Contradição

Também questionada sobre a falta de atenção ao caso, a Prefeitura de Itaquá disse que cobrou a Sabesp. Confira nota:

“A Prefeitura de Itaquaquecetuba, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Saneamento, informa que o caso é de responsabilidade da Sabesp, concessionária estadual de saneamento. Assim que o município teve ciência, acionou a empresa, reforçando a necessidade de solução imediata. A Sabesp informou que enviou resposta ao jornal. A administração municipal reitera que fiscaliza e mantém contato constante com a concessionária, reforçando seu compromisso de defender os direitos da população e a preservação do meio ambiente.”

 

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