sábado, 21 fev, 2026

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Fé, sincretismo e tragédias: a romaria de ‘Nossa Senhora Aparecida’

Devoção segue inabalável, como uma jornada espiritual que transcende dificuldades
Tatiana Silva

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No dia de “Nossa Senhora Aparecida”, fé e sacrifícios se entrelaçam nas histórias de milhares de romeiros que percorrem estradas em direção ao Santuário Nacional de Aparecida. Essa data também é marcada por histórias de milagres, sincretismo religioso e, infelizmente, tragédias que comovem o país.

No dia 12 de outubro, muitos devotos reunem no Santuário para celebrar o Dia da Padroeira do Brasil. As rodovias, lotadas de romeiros vindos de diferentes estados, foram palco de fé, sacrifícios e devoção. Para os devotos, a romaria é um ato de fé e resistência, em que cada passo carrega um pedido ou agradecimento.

Até o fechamento da edição, a Polícia Rodoviária Federal de São José dos Campos já registrou a passagem de 10,8 mil romeiros pela Rodovia Presidente Dutra com destino ao Santuário. Outros 35 mil devem fazer o mesmo percurso até o fim da semana.

O milagre

A reportagem da GAZETA foi até a Rodovia Presidente Dutra e, após muita conversa com os devotos, identificou que parte deles entraram para a romaria por conta de algum milagre atendido pela santa. Como é o caso de Miriam Graça, 50 anos, que é devota de “Nossa Senhora” desde criança, mas só iniciou como romeira a partir de um milagre na vida de seu filho.

“Meu filho sentia muita dor, e os médicos falavam que não era nada, e que iam dar alta para ele. Mas eu sentia que era alguma coisa. Aí eu pedi pra ‘Nossa Senhora’ que enviasse um médico que descobrisse o que ele tinha. No dia que estava programada a alta, um médico veio e disse que ele não poderia receber alta porque ele tinha um apêndice supurado e precisava ir imediatamente para o centro cirúrgico, mas no fim deu tudo certo”, disse, comovida.

O sincretismo religioso

Nossa Senhora Aparecida” também é venerada fora dos limites do catolicismo. Em várias religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, ela é associada a Oxum, orixá das águas doces e da fertilidade. Para essas tradições, Aparecida é símbolo de proteção e prosperidade, unindo diferentes interesses sob o manto da fé.

A dirigente da Tenda de Umbanda Santo Antônio de Catigeró, Cláudia Cristina Mota de Oliveira, explica o que “Nossa Senhora” representa dentro da umbanda e do candomblé.

“O sincretismo surgiu no tempo da escravidão, quando os negros vieram da África para o Brasil. Lá na África eles cultuavam vários deuses, vários orixás, como deus do rio, do trovão, da folha etc. E ‘Nossa Senhora Aparecida’ era uma das deusas que era cultuada pelos negros, como deusa do rio, da fertilidade, do amor, do ouro. Ao chegar no Brasil, eles eram proibidos de cultuar outra religião que não fosse a católica. Para não serem castigados, eles sincretizaram os seus deuses com alguns santos católicos, como é o caso de ‘Nossa Senhora’, que foi sincretizada como a mãe Oxum”.

Foto: Cecília Siqueira

Romaria em agradecimento

Assim como muitos anônimos, personalidades públicas também se voltam à fé durante a romaria. Um exemplo é o prefeito eleito de Salesópolis, Rodolfo Marcondes (PODE). Ele decidiu ir até o Santuário Nacional pela primeira vez para agradecer “a proteção que recebeu de Nossa Senhora durante o período eleitoral”. Vindo de uma família devota, Rodolfo percorreu a estrada de asfalto em Santa Branca, seguindo para a Rodovia Presidente Dutra em direção ao Santuário. O trajeto terá 128 km.

“Antes do término da eleição, que foi uma eleição muito sofrida e árdua, Nossa Senhora sempre esteve comigo. A única coisa que eu pedia para ela era proteção, e ela me protegeu a todo momento. E antes de acabar a eleição, eu falei que, independente do resultado, eu ia vir para Aparecida do Norte agradecer toda a proteção que eu recebi”, explicou.

Acidente

No entanto, a fé nem sempre é isenta de tragédia. Infelizmente, todos os anos acontecem acidentes na beira das rodovias. Neste ano, a romaria foi marcada por três acidentes com vítimas fatais (até o fechamento desta edição).

Na terça-feira (8), três romeiros foram atropelados por um ônibus à noite, enquanto caminhavam em direção a Aparecida. O atropelamento aconteceu na Rodovia Dutra, em Santa Isabel. Uma das vítimas, de 51 anos, não resistiu e morreu no local.

No mesmo dia, mais tarde, no trecho de Pindamonhangaba, um idoso de 65 anos que também seguia para Aparecida morreu atropelado por outro veículo.

Na sexta-feira (11), um ciclista de 76 anos, que seguia para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, morreu após ser atropelado por um ônibus na Rodovia Presidente Dutra. O caso aconteceu no trecho de Jacareí.

A romaria de Nossa Senhora Aparecida é, portanto, marcada por uma profunda mistura de fé, milagres, sincretismo e, infelizmente, tragédias. No entanto, ano após ano, a devoção dos romeiros permanece inabalável, mostrando que, para muitos, o caminho até o Santuário é uma jornada espiritual que transcende as dificuldades.

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