A Câmara aprovou o pacote antifacções e o Senado analisa a proposta. É um avanço necessário: o Brasil precisa enfrentar o crime organizado no topo da cadeia. Mas enquanto o Congresso discute essa frente nacional tão importante, outra discussão igualmente vital segue parada: o papel das Guardas Civis Municipais.
Não se trata de misturar agendas. Facções operam nacionalmente; GCMs atuam no território da cidade. Mas ambas compõem a mesma arquitetura de segurança. E ela está incompleta. Hoje, justamente as Prefeituras, mais próximas do cidadão, são o único ente federativo sem função policial definida. As guardas se expandiram, profissionalizaram-se, patrulham bairros, monitoram câmeras e, em muitos casos, chegam antes das polícias estaduais.
O Alto Tietê é prova disso. Quase todas as cidades da região possuem GCMs eficientes e integradas ao cotidiano urbano. Ainda assim, essas corporações seguem num limbo que o STF não resolveu, assumindo responsabilidades sem o respaldo constitucional necessário.
Enquanto isso, os estados, pressionados por demandas maiores, não conseguem ocupar todo o território. As prefeituras exercem na prática funções sem segurança jurídica adequada, e a integração entre forças permanece limitada.
A discussão sobre as GCMs não é secundária. É complementar ao esforço nacional contra o crime organizado. Se o país redesenha o topo, precisa organizar a base. Não se moderniza o combate às facções mantendo improvisada justamente a estrutura mais próxima da vida real das pessoas.




