Há momentos em que a história de uma cidade revela, com clareza incômoda, quem realmente assume responsabilidades pelo seu próprio desenvolvimento. Mogi das Cruzes vive novamente um desses momentos.
A cidade já demonstrou isso no passado. A rodovia Mogi-Dutra, inaugurada em 1972, foi construída sem um centavo do governo estadual. Dez anos depois, repetiu-se a fórmula com a Mogi-Bertioga, viabilizada também com recursos locais. As duas obras impulsionaram o crescimento econômico e a integração regional, mas trouxeram também pressão sobre o trânsito.
Foi desse problema que surgiu a necessidade da Perimetral, planejada para redistribuir o fluxo de veículos e aliviar o centro. Agora, em 2026, a Prefeitura prepara a construção do trecho final que fechará o chamado “rodoanel mogiano”. Mais uma vez, a cidade financia a própria solução, com recursos municipais e financiamento aprovado pela Câmara.
Diante desse cenário, fica ainda mais evidente o silêncio do governo estadual. Enquanto Mogi organiza suas contas e tira do papel uma obra estruturante para a mobilidade urbana, o Palácio dos Bandeirantes permanece ausente, do mesmo modo que em outros momentos da nossa história.
A conclusão da Perimetral resolve um gargalo histórico do trânsito mogiano, mas também reforça uma constatação irritante: o Alto Tietê, e Mogi em particular, nunca interessaram ao governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas.



