Em entrevista à Folha de São Paulo nesta semana, o presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado (PL), formalizou sua disposição de concorrer ao governo de São Paulo. A declaração acontece em meio a uma forte disputa nos bastidores da base aliada, onde seu nome já foi mais bem cotado, mas agora enfrenta reações negativas dentro do grupo. Mesmo assim, o deputado jogou seus dados: “Vou apresentar meu nome como uma opção e buscar a viabilidade com o governador e todos os partidos aliados”.
A movimentação acontece em um cenário em que a ala da direita mais ligada ao clã Bolsonaro tem preferência por outro nome. Conforme apurou a Folha, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seus aliados mais próximos veem o vice Felício Ramuth (PSD) como o sucessor natural.
A vantagem de Ramuth, segundo as avaliações, estaria no fato de que, ao assumir o cargo caso Tarcísio deixe o governo para disputar a Presidência em abril, ele teria direito a apenas um mandato. Isso abriria caminho para uma disputa aberta em 2030, algo que agrada outros interessados.
Diante desse quadro, a pré-candidatura de André do Prado pode ser entendida como uma tentativa do grupo ligado ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o Boy, de cacifar o presidente da Alesp como alternativa viável para ocupar o Palácio dos Bandeirantes. Enquanto o governador e seus aliados tentam agora desqualificar Prado, apontado em avaliações internas como uma “opção fraca eleitoralmente”, o deputado tenta capitalizar o trunfo de ser pupilo de Boy.
Por isso, a fala pública em que reconheceu Ramuth como sucessor “natural” de Tarcísio veio ao mesmo tempo em que informou sua decisão de se lançar oficialmente como pré-candidato, sinalizando ao partido que está disponível para o páreo. Nos bastidores, a jogada é lida como um movimento para garantir que o PL mantenha influência no processo de sucessão e não perca espaço para o PSD de Gilberto Kassab, que além de também ser um postulante ao governo, busca espaço na chapa.
Outro fator que interfere no jogo eleitoral é a saída de cena do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), após as críticas públicas de seu vice, coronel Mello Araújo (PL). Com Nunes anulado da briga, a disputa interna se concentra agora entre Ramuth e André do Prado, com Kassab como um terceiro postulante. Enquanto o governador afirma que a definição só virá no “tempo certo”, o presidente da Alesp tenta, com seu anúncio, transformar sua posição institucional em um trunfo concreto para a eleição de 2026.





