Abril chega com um convite que vai além da cor azul: olhar com mais atenção, empatia e responsabilidade para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). E, nesta edição, duas reportagens escancaram uma realidade que mistura avanços importantes e desafios urgentes.
De um lado, o poder público começa a dar respostas mais concretas. A futura Clínica Girassol, em Poá, simboliza um passo relevante ao ampliar o atendimento especializado e humanizado para crianças e adolescentes atípicos. Não se trata apenas de estrutura física, mas de um conceito: acolher, integrar e oferecer suporte real às famílias, que por muito tempo caminharam quase sozinhas.
Do outro, cresce um fenômeno que ainda desafia políticas públicas e a própria sociedade: o aumento de diagnósticos de autismo em adultos. Histórias como as relatadas nesta edição revelam trajetórias marcadas por silêncio, diagnósticos equivocados e, principalmente, falta de informação. Quando o diagnóstico chega, muitas vezes tardio, ele não limita. Pelo contrário, liberta.
Esse contraste evidencia um ponto central: avançamos, mas ainda de forma desigual. Enquanto há evolução no atendimento infantil, adultos seguem à margem, enfrentando filas, custos elevados e preconceito.
Falar sobre autismo é, acima de tudo, falar sobre inclusão de verdade. Não basta reconhecer, é preciso garantir acesso, respeito e dignidade em todas as fases da vida. Abril termina, mas essa pauta precisa ser permanente



