terça-feira, 10 mar, 2026

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1 ano após promessas de Tarcísio, ameaça de enchentes em Itaquá preocupa a cidade

Vila Maria Augusta aguarda governador cumprir promessa de moradia, que não sai do papel, para resolver problema
Guilherme Alferes

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Há um ano fortes chuvas de verão castigaram o estado de São Paulo, causando desastres como os deslizamentos de terra no Litoral Norte e, felizmente com menos vítimas, uma série de alagamentos em todo o Alto Tietê, como em Itaquaquecetuba, onde a população já está até acostumada a lidar com este percalço. Com a queda de temperatura sentida pela região na última semana, que veio acompanhada de chuvas, a apreensão da população tem aumentado na mesma proporção do nível da água.

É o que vem acontecendo na Vila Maria Augusta, localizada na várzea do Rio Tietê, fato este causador de enchentes anuais. O evento é tão corriqueiro, que dá tempo dos moradores se prepararem para ele, como é o caso do comerciante Carlos Wesley Santos Oliveira, 19 anos, cujo chefe já ordenou que fossem feitas todas as entregas agendadas antes que a água – que já tomou parte da rua – chegue ao estabelecimento.

À GAZETA, ele contou que nas enchentes de 2023 o patrão teve de alugar outro imóvel no bairro, em local mais seguro, para continuar o trabalho, movimento que talvez se repita este ano. “Fica impossível de trabalhar”, diz o jovem, que morou no bairro por anos e confirma: “Entra ano, sai ano e não muda nada, ninguém resolve o problema.”

Carlos Wesley Santos Oliveira, 19 – Foto: Cecília Siqueira

A mesma reivindicação se repetiu por parte da pensionista Marcela Barbosa, 54, que vive na região há 27 anos e já ouviu de diversas autoridades promessas de resolução até então não cumpridas. A última delas veio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no dia 2 de março de 2023, quando visitou a cidade e disse a ela, na porta de sua casa, que resolveria o problema oferecendo moradias populares àqueles moradores que, assim como ela, precisam sair dali, mas não tem condições financeiras de fazê-lo (leia mais a respeito abaixo).

Questionada, a Prefeitura de Itaquá, em nota, disse que monitora, 24 horas por dia, 30 áreas de risco na cidade e que, “para mitigar riscos, a Defesa Civil mantém um canal aberto com a população dessas áreas, inclusive por meio do Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (NUPDEC) que consiste em formar/treinar moradores locais para ação imediata em casos de desastres naturais, até que o socorro chegue.”

A administração municipal também listou uma série de medidas paliativas, como limpeza de bueiro, poda de árvores, capinação e desassoreamento dos córregos, que foram feitas como forma de prevenção, e orientou: em caso de necessidade, a Defesa Civil deve ser acionada pelo 199.

Governo promete encerrar ‘novela Fazenda Albor’, mas só entrega cartas de crédito

Durante sua visita à cidade em março de 2023, Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse, à imprensa e a moradores, que a única solução definitiva para o problema das enchentes seria a oferta de moradias populares para tirar as pessoas das áreas de risco. Na ocasião, ele se comprometeu a entregar 2 mil unidades habitacionais até 2026, sendo 500 por ano, no espaço conhecido como Fazenda Albor, localizado na divisa entre Itaquaquecetuba, Arujá e Guarulhos.

Neste período foi anunciada uma série de aberturas de cartas de crédito para moradias na cidade, pelo programa Casa Paulista, tendo sido 240 delas ofertadas na última semana. A GAZETA, portanto, procurou fontes na secretaria municipal de Habitação para questionar: estes fazem parte do pacote prometido pelo governador? A resposta foi negativa.

De acordo com o que foi informado à reportagem, a modalidade do programa em que se encaixa a oferta se trata apenas de “um financiamento mais barato” que não tem relação com o prometido.

As 2 mil unidades com as quais Tarcísio se comprometeu ainda estão em processo de aprovação do projeto. A fonte se mostrou otimista com o cumprimento da promessa, mas, até a publicação da reportagem, nada foi oficializado.

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