Uma Constituição com toque feminino

O Chile vive a efervescência de escrever uma nova Constituição a partir de abril. A grande expectativa está em torno do quanto a Carta Magna irá incorporar do legado da ex-presidenta Michelle Bachelet, primeira mulher a presidir o país e a quem se deve essa conquista. Nesse momento em que muito se discute a falta de representatividade política das mulheres, mas pouco ou nada se vê no âmbito da implantação de políticas públicas para contemplar o real sentido do empoderamento feminino, é preciso enfatizar quantas vezes for preciso que uma nova era está sendo construída no Chile a partir da luta, resistência e pioneirismo de uma grande liderança feminina.

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Por Gisleine Zarbiettis / Arte: Giovanna Figueiredo

O Chile vive a efervescência de escrever uma nova Constituição a partir de abril. A grande expectativa está em torno do quanto a Carta Magna irá incorporar do legado da ex-presidenta Michelle Bachelet, primeira mulher a presidir o país e a quem se deve essa conquista. Nesse momento em que muito se discute a falta de representatividade política das mulheres, mas pouco ou nada se vê no âmbito da implantação de políticas públicas para contemplar o real sentido do empoderamento feminino, é preciso enfatizar quantas vezes for preciso que uma nova era está sendo construída no Chile a partir da luta, resistência e pioneirismo de uma grande liderança feminina.

Os 155 constituintes (metade homens e metade mulheres) que ficarão encarregados de escrever a nova Carta Magna devem ser eleitos no dia 11de abril. O texto passará por uma consulta popular e a expectativa é que sua aprovação e promulgação ocorram em 2022. Será a primeira vez na história que um organismo com equidade de gênero escreverá uma Constituição. É de Bachelet esse mérito. Foi sob sua liderança que o Chile passou por uma Reforma Eleitoral e pode romper com o “sistema binominal”, uma das heranças da ditadura de Augusto Pinhochet que comprometia a democracia do país.

Ao lado de Cristina Kirchner, Bachelet foi a mulher que passou mais tempo no poder na América Latina. As duas ingressaram na política sem se valer do estereótipo da “supermadre”, ou seja, mulheres cujo poder caiu às mãos pela influência de grandes caciques da política – figuras de poder com quem mantinham laços, na maioria matrimoniais ou sanguíneos. Cristina, embora tenha sido esposa do ex-presidente Néstor Kirchner, construiu sua trajetória em função da militância que exerceu ainda na juventude, da carreira bem-sucedida na advocacia e dos cargos eletivos que ocupou, jamais turbinados pelo título de primeira-dama que veio a ter muito depois.

Cristina fez o caminho reverso. Ao protagonizar a própria história e consolidar sua liderança política, tornou-se muito mais conhecida e prestigiada na Argentina que o próprio esposo. Enquanto sua atuação política teve extrema importância para a ascensão de Néstor, a dele pouco ou nada interferiu para que Cristina protagonizasse a força feminina na política.

Que exemplos como esses ajudem a compreender o real sentido de empoderamento feminino e que a conquista da nova Constituição chilena inspire outras mulheres a ampliar a luta feminista para tudo o que transpõe a preocupação de querer ocupar o espaço público simplesmente com a atribuição de “cuidar”.

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