Um Brasil de mais armas e menos vacinas

Durante a campanha eleitoral de 2018, uma das maiores preocupações Jair Bolsonaro era a taxa de mortes violentas (assassinatos) no país. Seu discurso era que, se eleito, os brasileiros teriam direito de ter seu prórpio revolver. Nem precisamos entrar no mérito de ter ou não dinheiro para comprar uma arma de fogo em meio à crise econômica, a qual só piora nas mãos do ‘Posto Ipiranga’.

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Por André Jesus / Arte: Giovanna Figueiredo

Durante a campanha eleitoral de 2018, uma das maiores preocupações Jair Bolsonaro era a taxa de mortes violentas (assassinatos) no país. Seu discurso era que, se eleito, os brasileiros teriam direito de ter seu prórpio revolver. Nem precisamos entrar no mérito de ter ou não dinheiro para comprar uma arma de fogo em meio à crise econômica, a qual só piora nas mãos do ‘Posto Ipiranga’.

Mas sim, vamos falar aqui da suposta preocupação com a vida dos cidadãos pela qual o ex-capitão tanto se dizia aflito. Em 2017, ano anterior ao escrutínio que alçou Jair ao Planalto, aconteceram 59.128 mortes violentas no país, segundo levantamento do portal G1. No ano seguinte, esse número baixou para um pouco mais de 51 mil assassinatos. São mais de 100 mil vidas brasileiras ceifadas ao longo de dois anos. Algo realmente entristecedor.

No entanto, um outro número ainda maior de mortes no país parece não mexer com os brios do Messias. Enquanto provocava aglomerações na porta do Planalto, evocava manifestações inconstitucionais contra o STF, virava garoto propaganda de drogas comprovadamente ineficazes para o tratamento da Covid-19, morreram no Brasil, em um ano, mais de 283 mil pessoas.

Vou repetir para não haver dúvidas. Foram mais de 283 mil vidas ceifadas no país em função da pandemia no período entre 17 de março de 2020 e 17 de março de 2021.

De lá para cá, cerca de 147 mil mortes a mais em apenas dois meses. Atualmente, são mais 430 mil mortes em decorrência da Covid-19.

Mas, o que Jair Bolsonaro fez nesse período? Vos digo: editou uma série de decretos para afrouxar a fiscalização na aquisição, posse e porte de armas de fogo para diversos segmentos da sociedade.

E mais. Conforme está sendo trazido à luz na CPI da Pandemia que acontece no momento no Senado Federal, agiu contra a aquisição de vacinas para imunização da população, versou contra a eficácia dos imunizantes, fez piada com as vidas perdidas e trabalhou pela tese, também refutada cientificamente, da imunidade de rebanho.

Para se ter noção, o vice-presidente da Pfizer para a América Latina, um dos primeiros laboratórios a desenvolver vacina contra a Covid-19 no mundo, disse em depoimento à CPI que a empresa enviou o primeiro contato com Bolsonaro para aquisição de 70 milhões de vacinas em maio de 2020; que começariam a ser entregues em dezembro do mesmo ano. A CPI mostrou também que um outro contato feito pelo laboratório ao presidente, o vice e outros ministros, em setembro de 2020, ficou sem resposta até, ao menos, 9 de novembro. Quase dois meses de completa paralisia do governo em relação a esses imunizantes.

Poderia aqui elencar mais uma série de atitudes ou omissões de Bolsonaro e sua equipe, mas, de momento, repito o questionamento? Por que, na opinião de Bolsonaro, apenas armas de fogo importam para (a suposta) defesa da vida?

Diante da total inépcia do atual mandatário, está mais do que comprovado, chancelado e referendado a total incapacidade desse senhor em ser presidente do país.

É sério que, para o Brasil, para os brasileiros, é mais importante uma arma de fogo do que a vacina contra a Covid-19?

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