Considerada uma das maiores – se não a maior – empresas da área de papel e celulose do mundo, com 35 unidades por todo o Brasil e sedes em oito países, a Suzano S/A acabou se tornando um sinônimo brasileiro de sucesso empresarial, além do orgulho aos habitantes do Alto Tietê por carregar o nome da cidade para o mundo. Em sua terra natal, no entanto, a bilionária corporação tem falhado em garantir a segurança de seu maior bem: seus funcionários.
De acordo com denúncias ouvidas pela GAZETA, os trabalhadores principalmente do polo industrial localizado na Avenida Prudente de Moraes, em Suzano, têm convivido com a presença de bandidos que invadem o local, principalmente pelos fundos, para roubar fios, equipamentos e até capacetes de motocicletas de funcionários. Tudo isso envolto em um ensurdecedor silêncio da empresa.
De acordo com Marciel Bispo, funcionário há 28 anos e dirigente do Sindicato dos Papeleiros de Mogi das Cruzes e Região, a recorrência dos casos ocorre porque a empresa diminuiu os investimentos em segurança, aumentando assim as oportunidades aos bandidos.
“A Suzano vende para a imprensa no geral que aplica o dinheiro em segurança, mas não faz. Está correndo o risco de, num lugar onde trabalham também mulheres, um cara fazer uma besteira com um trabalhador lá dentro”, disparou.
Os perigos, no entanto, não vêm apenas de agentes externos, principalmente para as mulheres. A GAZETA também foi informada de uma série de casos de assédio sexual em que consequências foram apresentadas apenas às vítimas, que não terão suas identidades reveladas.
Uma delas pediu demissão por não aguentar os subsequentes assédios sofridos e não ter sido atendida após reportar o caso aos superiores. Até o momento, ela optou por não prosseguir com denúncia.
Outra foi assediada por superior, notificou a gerência pedindo transferência de setor, foi atendida, mas exposta durante reunião da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), e logo em seguida dispensada dos trabalhos. Há informações de que ela processará a empresa.
O QUE DIZ A SUZANO
Sobre os roubos, a Suzano S/A, em nota, disse que “as instalações da companhia contam com sistemas de monitoramento por câmeras 24 horas por dia e sete dias na semana, além de equipe responsável pela segurança patrimonial de suas unidades.”
Sobre os assédios, disse que “não consente com abusos de poder ou assédios sejam de cunho sexual, econômico, moral ou de qualquer outra natureza” e colocou os canais oficiais da empresa à disposição. As vítimas, no entanto, alegaram terem tentado e não tido resultado.
Leia a nota na íntegra:
“A empresa reforça seu compromisso com a segurança de suas instalações e, mais importante, de seus colaboradores e prestadores de serviços em todas as suas operações e unidades.
As instalações da companhia contam com sistemas de monitoramento por câmeras 24 horas por dia e sete dias na semana, além de equipe responsável pela segurança patrimonial de suas unidades, que desenvolve ações regulares de rondas no perímetro da fábrica. A empresa ressalta ser a maior interessada na busca contínua de pontos de melhorias em seus processos, visando garantir a segurança de todos que estão em suas unidades e também dos próprios bens da empresa.
A companhia esclarece também que busca os mais altos padrões de integridade, transparência e confiabilidade em todos os seus relacionamentos e não consente com abusos de poder ou assédios sejam de cunho sexual, econômico, moral ou de qualquer outra natureza. Tais padrões éticos, legais e morais estão consolidados no Código de Conduta da empresa, que é um documento que norteia a atuação das áreas internas e é de conhecimento público.
Todas as denúncias devem ser comunicadas à Ouvidoria Suzano, utilizando-se dos canais de contato colocados à disposição. De acordo com a apuração do caso, a empresa tomará os procedimentos administrativos e jurídicos cabíveis. Colocamos à disposição de toda a comunidade, o telefone e e-mail de nossa Ouvidoria, que está disponível para reclamações e denúncias: 0800 771 4060 ou pelo e-mail ouvidoriaexterna@austernet.com.br. Vale reforçar ainda que as denúncias podem ser anônimas.”




