Os vereadores de Suzano realizaram questionamentos para esclarecer a população sobre doenças e as ações da Divisão de Controle de Zoonoses, durante audiência pública realizada na segunda-feira (6), na Câmara Municipal.
A reunião foi conduzida pelo vereador Marcel Pereira da Silva (PRD), o Marcel da ONG, presidente da Comissão de Proteção e Bem-Estar Animal do Legislativo, e contou com a participação dos vereadores Artur Takayama (PL) e Dirceu Carlos da Silva (Republicanos), o Filho do Carlão da Limpeza.
O secretário municipal de Saúde, William Harada, destacou a importância de a população conhecer a complexidade dos serviços realizados pelo setor, que exigem investimentos e atenção, e reforçou que o foco é a prevenção.
Artur Takayama questionou sobre a vacinação antirrábica no município. A diretora da Divisão de Controle de Zoonoses, Priscila Arap, explicou que Suzano dispõe de 50 doses por mês, aplicadas sempre na última quarta-feira no Canil Municipal, localizado na rua Waldemar Augusto, 300, no bairro Casa Branca, sem necessidade de agendamento.
“Antigamente eram feitos mutirões de vacinação, mas há muitos anos não há transmissão de raiva por cães e gatos”, afirmou.
Takayama também elogiou as ações de combate aos criadouros do mosquito da dengue e perguntou sobre os critérios para a realização da nebulização. Priscila explicou que o procedimento não é utilizado para eliminar pernilongos, mas apenas em períodos de transmissão da doença, quando há casos notificados em um mesmo bairro dentro de uma semana.
“Este ano não tivemos epidemia. Não deixamos de realizar nossas ações e orientações”, completou.
O parlamentar também questionou sobre campanhas previstas para os próximos meses. Priscila informou que o setor participa de eventos e ações em escolas para apresentar o trabalho realizado.
“Estamos à disposição de qualquer comunidade que queira que a gente vá fazer palestra e levar informação”, disse.
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Cães agressivos
Outro questionamento de Takayama foi sobre cães agressivos — que avançam nas pessoas, mas não mordem. A diretora explicou que há diferença entre cão agressivo e cão agressor — este último representa risco à saúde pública, pois precisa ser observado para verificar a possibilidade de raiva.
Ela orientou que pessoas mordidas por cães devem procurar uma unidade de saúde, que fará a notificação à Zoonoses.
“Sem comprovação médica, não posso atuar”, afirmou.
Priscila também explicou a diferença entre cães de rua, que podem ser levados ao Canil Municipal, e cães com tutor, cuja responsabilidade é do proprietário.
Marcel da ONG comentou sobre os cães que ficam no entorno da estação de trem de Suzano, citando um caso recente em que um homem teria agredido um animal após ser mordido.
“Cobram por que a Zoonoses não retira os animais que estão lá”, disse.
Priscila informou que foi realizada uma reunião com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e protetoras de animais que atuam no local, que não permitem a retirada dos cães.
“São quatro ou cinco protetoras que não deixam a gente chegar até o animal”, explicou.
Esporotricose
O vereador também perguntou sobre ações de combate à esporotricose. Priscila explicou que a doença é causada por um fungo que provoca lesões na pele de gatos e pode ser transmitida para humanos e cães por arranhões.
A doença tem cura, mas o tratamento dura cerca de seis meses. Segundo ela, os casos estão concentrados principalmente na região do Miguel Badra e, neste ano, há cinco registros confirmados.
“O proprietário precisa cuidar, e o medicamento é caro”, afirmou.
Leishmaniose
Marcel também questionou sobre a presença de leishmaniose no município. Priscila explicou que a doença é transmitida pelo mosquito-palha e pode afetar humanos e animais.
Segundo ela, pesquisas realizadas em Suzano não identificaram casos, nem na área rural nem na urbana. Também não há registros de casos importados. A doença não tem cura e exige tratamento contínuo.
Febre maculosa
O parlamentar perguntou ainda sobre a febre maculosa e o controle de capivaras. Priscila explicou que as capivaras não transmitem a doença, mas convivem com carrapatos que podem infectar humanos.
“Até o momento, não temos casos no município, mas não se deve mexer com animais silvestres”, orientou.
Ela também alertou sobre os riscos de aproximação de animais como saguis, macacos-prego e morcegos.
“Animal silvestre não é para brincar, pois há risco de mordida”, destacou.
O vereador Dirceu parabenizou a equipe de Controle de Zoonoses, colocou-se à disposição e solicitou um balanço das ações do órgão. Priscila afirmou que o trabalho é contínuo, com orientações à população e atendimento a denúncias envolvendo animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas e serpentes. Ela também se comprometeu a enviar os dados completos do ano passado.


