“Como estamos agora, já começa a não atender às fortes demandas sociais”. Essa foi uma das frases ditas pelo secretário municipal de Segurança Urbana de Itaquaquecetuba, Anderson Caldeira, ao comentar o que classificou como uma necessidade de que seja feita uma discussão “aprofundada, técnica e racional” sobre o modelo de segurança pública aplicado no Brasil.
A afirmação foi feita na quinta-feira (3), em entrevista concedida pelo secretário ao programa “Itaquá quer Saber”, produzido pela GAZETA.
Reflexos da visão de Caldeira em relação ao tema já podem ser vistos na atuação da GCM (Guarda Civil Municipal) itaquaquecetubense desde o início da gestão de Eduardo Boigues (PP), período em que o órgão passou por diversas mudanças, tanto de estrutura, recebendo mais armamento e viaturas, por exemplo, quanto no modo de agir. Sob seu comando, a guarda ganhou, na prática, status de “polícia municipal”.
Essa lógica contraria o entendimento legal de que às GCMs cabe apenas a proteção de bens, serviços e instalações do município, enquanto a Polícia Militar cumpre o papel de fazer o policiamento ostensivo e a Civil o de investigação. De acordo com Caldeira, repensar essa estrutura, fortalecendo as forças municipais de segurança, pode ser uma alternativa para lidar com o enfrentamento ao crime em todo o território nacional.
Questionado sobre as críticas ao modelo defendido por ele, o secretário responde com os resultados dos últimos dois anos e meio na cidade, principalmente considerando que neste período, em todas as prisões em flagrante feitas pela guarda, não houve nenhuma contestação em relação aos agentes, nem das provas coletadas, acusações de agressão ou qualquer coisa do tipo.
“[A GCM de Itaquá] é uma polícia não arbitrária, uma polícia cidadã, articulada de forma forte com o Estado Democrático de Direito”, disse.
Teorias à parte, os números corroboram com o secretário: segundo a prefeitura, a guarda apreendeu 50 mil porções de drogas no primeiro semestre de 2023, o número de roubos de motocicletas na entrada da cidade foi zerado, mais de mil mulheres foram atendidas pela Ronda de Proteção à Mulher, além de forte atuação contra crimes ambientais.
Na entrevista, Caldeira falou também sobre a importância de uma política de redução de danos em relação às drogas, descriminalização da maconha e mais detalhes das forças de segurança na cidade. Confira a conversa no canal da GAZETA no Youtube.



