“Péssima”, essa foi a resposta, de bate-pronto, da auxiliar de limpeza Mônica Eugênia dos Santos, 45, quando questionada sobre as condições de segurança na região central de Mogi das Cruzes. Ela é moradora da casa ao lado da sede da ACMC (Associação Comercial de Mogi das Cruzes), que foi invadida e furtada em plena luz do dia, no último domingo (27).
O episódio, em que um bandido arrombou a grade de metal e a porta de vidro do local para furtar um notebook e quatro aparelhos celulares corporativos, às 15h30, assustou moradores e comerciantes, mas não surpreendeu ninguém, como constatou a reportagem.
De acordo com Mônica, a região convive com uma rotina de insegurança e perturbação, principalmente durante a noite, por conta de andarilhos e usuários de drogas na região. “Muitos roubos, muitos usuários de drogas, moradores de rua. Na madrugada eles jogam pedra no portão, tocam a campainha, fazem cocô na rua, andam pelados. É um horror”, relata.
Ela disse que há cerca de um ano, teve sua casa também invadida: “Já roubaram minha casa, levaram tudo, agora com isso da Associação, vou até ver de colocar câmera, se não daqui a pouco levam até a gente.”
Assim como Mônica, os comerciantes também estão tendo de tomar medidas por conta própria para se protegerem, tendo de ter constante comunicação entre si, em grupos de Whatsapp, além de precauções por conta própria.
“Principalmente após as 18h, piora muito. A polícia praticamente não passa. Nós temos câmeras, temos um grupo de comerciantes e moradores, a gente se ajuda, um fica olhando pelo outro, mas está complicado”, afirmou a empresária Priscila Rosa, 42, que, depois de ser assaltada, mantém barras de ferro espalhadas por seu estabelecimento.
A ineficiência das forças de segurança também foi tópico constante, e em vários sentidos. O comerciante José Luiz, 42, conta ter acionado a Polícia Militar para conter uma briga que ocorreu após um acidente de trânsito e, mesmo com o 1º DP (Distrito Policial) próximo, não foi atendido.
“Teve um acidente entre um carro e uma moto, começou uma discussão, um rapaz foi agredido, a gente chamou a polícia e ninguém veio. Depois de uma hora, mais ou menos, passou uma viatura da GCM e resolveu. Só aí já dá para ver que estamos à deriva”, disparou.
A GAZETA procurou a SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública), que enviou a seguinte nota: “A SSP reforça seu compromisso no combate à criminalidade em Mogi das Cruzes. Nos primeiros nove meses de 2024, o município registrou queda significativa nos roubos (18,2%) e furtos (12,4%) em comparação ao ano anterior. A atuação policial foi intensificada, resultando na prisão e apreensão de 1.187 pessoas e na recuperação de 332 veículos.”
A assessoria da prefeita eleita de Mogi das Cruzes, Mara Bertaiolli (PL), também foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.


