Uma dor persistente no joelho que começa discreta e vai piorando ao longo dos meses. O paciente tenta resolver com analgésicos, busca orientação em pronto-socorro, ouve que precisa de um especialista. Aí começa outro problema: conseguir atendimento com um ortopedista focado em joelho pelo plano de saúde pode levar semanas, às vezes meses.
- O peso do diagnóstico tardio nas articulações
- O Alto Tietê e a pressão sobre os serviços de saúde
- Ortopedista geral ou especialista em joelho: a diferença que o paciente não vê
- Quando o tratamento conservador deixa de funcionar
- Como buscar atendimento especializado pelo convênio
- O peso da espera e o custo da inação
Na região do Alto Tietê, com quase 1,7 milhão de habitantes distribuídos entre Mogi das Cruzes, Suzano, Itaquaquecetuba e outras cidades, essa realidade atinge milhares de pessoas todos os anos.
Estimativas apontam que cerca de 12 milhões de brasileiros convivem com osteoartrite, a forma mais comum de desgaste articular. O joelho é a articulação mais atingida. Depois dos 65 anos, 85% da população apresenta sinais radiológicos da doença, segundo dados divulgados pela CNN Brasil com base em levantamentos médicos.
Nem todos precisam de cirurgia, mas todos precisam de avaliação adequada e, em muitos casos, de acompanhamento prolongado. O problema é que a distância entre o primeiro sintoma e o tratamento correto costuma ser longa demais.
O peso do diagnóstico tardio nas articulações
A artrose no joelho não aparece de um dia para o outro. Ela se desenvolve ao longo de anos, muitas vezes acelerada por fatores que o paciente nem percebe: excesso de peso, lesões antigas mal tratadas, movimentos repetitivos no trabalho ou no esporte. Cada quilograma a mais no corpo representa cerca de quatro quilogramas de carga extra sobre o joelho, segundo a literatura ortopédica.
O que ocorre com frequência, porém, é o paciente conviver com a dor por tempo excessivo antes de procurar ajuda especializada. Parte dessa demora está ligada à dificuldade de acesso.
Dados do DATASUS mostram que o número de artroplastias totais de joelho realizadas pelo SUS cresceu 56% entre 2009 e 2018, passando de 4.894 para 7.649 procedimentos autorizados naquele período. Esse crescimento reflete tanto o envelhecimento da população quanto o acúmulo de casos que chegam ao sistema já em estágio avançado.
A região Sudeste concentra 54% das internações por osteoartrite no país, de acordo com estudo publicado na Revista de Epidemiologia e Saúde Pública com base em dados do Ministério da Saúde, entre 2017 e 2021.
São Paulo puxa esse número, mas a distribuição dentro do estado é desigual. Grandes centros têm mais serviços disponíveis, enquanto regiões periféricas da Grande São Paulo enfrentam gargalos de oferta.
O Alto Tietê e a pressão sobre os serviços de saúde
A região do Alto Tietê cresceu 19,5% em população entre 2010 e 2022, conforme o Censo do IBGE. Mogi das Cruzes ultrapassou 468 mil habitantes na estimativa de 2024, Itaquaquecetuba chegou a 382 mil e Suzano a 318 mil.
Esse crescimento populacional gera uma demanda proporcional por serviços médicos, mas a oferta de especialistas nem sempre acompanha o ritmo.
Nas cidades menores da região, como Biritiba Mirim, Salesópolis e Guararema, o acesso a ortopedistas subespecializados é ainda mais restrito.
Muitos pacientes precisam se deslocar até Mogi das Cruzes ou até a capital para conseguir uma consulta com médico focado exclusivamente em joelho. E quando o atendimento depende do plano de saúde, a espera pode se prolongar.
A Unimed, maior sistema de cooperativas médicas do país, entrou em 2025 com mais de 20 milhões de beneficiários e 117 mil médicos cooperados, o que equivale a 21% dos médicos do Brasil, segundo dados divulgados pela própria cooperativa.
Com 38% de participação no mercado de planos de saúde, é o convênio que mais pacientes carregam no bolso quando procuram atendimento. Ter o cartão, porém, não resolve a questão se o paciente não sabe onde encontrar o profissional certo.
Ortopedista geral ou especialista em joelho: a diferença que o paciente não vê
A ortopedia é uma especialidade ampla. Dentro dela, há profissionais dedicados a coluna, ombro, mão, quadril, pé e joelho, entre outras áreas. O problema é que, para o paciente comum, todos aparecem como “ortopedista” na lista do convênio. Não há, na maioria dos guias médicos, uma separação clara por subespecialidade.
De acordo com Dr. Ulbiramar Correia, referência em ortopedia de joelho em Goiânia, essa falta de filtro leva muitos pacientes a marcar consulta com o primeiro nome disponível, sem verificar se aquele médico tem experiência específica em joelho.
Em casos simples, uma orientação genérica pode resolver. Mas quando o quadro envolve lesão de menisco, ruptura de ligamento cruzado anterior ou artrose avançada, a diferença entre um generalista e um especialista pode definir o resultado do tratamento.
A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA), por exemplo, atinge entre 30 e 78 pessoas a cada 100 mil habitantes por ano. Em 50% a 70% desses casos, há lesão associada do menisco. São quadros que exigem avaliação minuciosa, decisão cirúrgica criteriosa e, quando necessário, técnica operatória refinada.
Um médico de joelho da Unimed com volume cirúrgico expressivo e formação subespecializada tende a oferecer diagnósticos mais precisos e condutas mais seguras. Não é uma questão de desqualificar o ortopedista geral. É reconhecer que certas condições exigem um olhar mais treinado.
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Quando o tratamento conservador deixa de funcionar
Nem todo problema no joelho termina em sala de cirurgia. A fisioterapia, o controle de peso e o fortalecimento muscular resolvem boa parte dos casos de artrose em estágio inicial. Medicamentos, infiltrações e mudanças de hábito também entram na conta.
O ponto de virada acontece quando o paciente já fez tudo isso e a dor persiste. Quando a cartilagem está desgastada a ponto de expor o osso, quando a deformidade do joelho compromete a marcha, quando a qualidade de vida despenca e a pessoa deixa de fazer o que gostava. Nessa hora, a artroplastia, que é a substituição da articulação por uma prótese, passa a ser a opção mais indicada.
Dados internacionais indicam que mais de 90% das próteses de joelho duram 20 anos ou mais. É um procedimento com resultados consistentes, mas que depende de indicação precisa e de um cirurgião que domine a técnica. A escolha do profissional, nesse estágio, não é um detalhe.
No Brasil, entre 2014 e 2023, os custos das artroplastias de joelho no SUS aumentaram de forma significativa, conforme estudo publicado no Brazilian Journal of Health Review em 2025.
As regiões Sudeste e Sul concentram os maiores volumes de procedimentos, mas também os maiores custos médios por internação. A tendência é de crescimento contínuo à medida que a população envelhece.
Como buscar atendimento especializado pelo convênio
Para quem tem plano de saúde e precisa de atendimento ortopédico no joelho, alguns passos ajudam a reduzir o tempo de espera e aumentar a chance de encontrar o profissional adequado.
O primeiro é consultar o guia médico do convênio filtrando por ortopedia e, se possível, buscar informações complementares sobre a subespecialidade do médico. Muitos profissionais mantêm sites próprios onde detalham sua área de atuação, formação e vínculos com hospitais. Essa pesquisa prévia evita consultas improdutivas.
O segundo passo é verificar o volume de atendimento. Médicos e clínicas ortopedistas que aceitam Unimed com experiência consolidada em joelho tendem a ter equipe estruturada, acesso a exames de imagem e protocolos de reabilitação definidos. Não basta aceitar o convênio. É preciso que o serviço esteja preparado para conduzir o caso do início ao fim.
O terceiro ponto é não adiar. A artrose, a lesão de menisco e os problemas ligamentares não melhoram sozinhos com o tempo. O diagnóstico precoce, feito por quem entende do assunto, muda o prognóstico.
Um joelho tratado cedo tem mais chance de responder ao tratamento conservador. Um joelho tratado tarde muitas vezes só encontra alívio na cirurgia.
O peso da espera e o custo da inação
Na região do Alto Tietê, como em boa parte da Grande São Paulo, a rotina de muitos trabalhadores exige longos deslocamentos, jornadas em pé e esforço físico. Quem trabalha no comércio de Mogi das Cruzes, na indústria de Suzano ou na logística de Itaquaquecetuba sente no joelho o reflexo de anos de sobrecarga.
Ignorar a dor tem preço. O afastamento do trabalho por problemas musculoesqueléticos é a terceira causa de benefícios concedidos pela Previdência Social, com 65% dos casos relacionados a doenças articulares. A osteoartrite, que muita gente chama simplesmente de “desgaste”, lidera essa lista quando se trata de membros inferiores.
O envelhecimento da população vai ampliar essa conta. A proporção de idosos com 60 anos ou mais no Brasil saltou de 9,8% para 14,3% entre os censos mais recentes do IBGE.
A faixa etária de 60 a 69 anos é a que mais apresenta internações por osteoartrite, segundo dados do DATASUS, seguida pela faixa de 70 a 79 anos. Mulheres representam quase 63% dos casos.
Conforme a equipe médica do COE, centro ortopédico localizado em Goiânia, para o paciente que já sente os primeiros sinais, seja a dor ao subir escadas, o inchaço depois de uma caminhada ou o estalo ao dobrar o joelho, o momento de agir é agora.
Buscar orientação com um ortopedista subespecializado, verificar a cobertura do convênio e não esperar o quadro se agravar é o caminho mais seguro para proteger a mobilidade e a qualidade de vida nos anos seguintes.
A região do Alto Tietê tem estrutura de saúde em expansão e acesso a profissionais de referência. O que falta, muitas vezes, é o paciente saber que pode e deve procurar atendimento antes que a dor se torne incapacitante.
*Por Kátia Alves


