sábado, 21 fev, 2026

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Polícia de Tarcísio de Freitas mata mais um em São Paulo

Gestão do governador aumenta em 95% mortes causadas por PMs no Estado
Felipe Alves

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Um jovem de 19 anos foi morto por policiais militares do Estado de São Paulo no último domingo (18), na Vila Andrade, Zona Sul da capital, em mais um episódio marcado pela violência das forças de segurança. A ação, que ainda está sob investigação, soma-se a uma série de ocorrências que evidenciam o padrão recorrente de abordagens violentas por parte da corporação.

Segundo relatos de familiares, Natanael Venâncio Almeida foi baleado dentro de casa. Eles afirmam que ele havia fugido da abordagem policial por estar sem capacete e sem habilitação, temendo ter sua motocicleta apreendida. De acordo com a mãe do jovem, ele conseguiu entrar na residência, mas foi perseguido e morto por agentes da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas).

A ação gerou protestos de moradores na noite de segunda-feira (19), quando um carro foi incendiado na Avenida Carlos Caldeira Filho. A manifestação ocorreu uma semana após outro jovem, também de 19 anos, ter sido morto por policiais militares na mesma região, próxima à favela de Paraisópolis.

Sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), casos como esse têm se tornado cada vez mais frequentes, agravando o cenário da violência policial no estado. Desde o início de seu mandato, foram registradas 1.493 mortes em ações policiais até o dia 18 de maio de 2025, de acordo com os dados do Gaesp-MPSP (Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público). Somente em 2024, foram 773 mortes, o que representa um aumento de 95% em relação a 2022, que fechou com 396 casos.

O governo anterior registrou, entre 2019 e 2022, um total de 2.588 mortes em ações policiais, com uma queda significativa a cada ano: 841 em 2019, 794 em 2020, 557 em 2021 e 396 em 2022. Já a atual gestão, além de apresentar aumento anual no número de casos, acumula em apenas dois anos e meio cerca de 58% desse total, indicando uma tendência de superação até o fim de 2026.

O aumento e a recorrência expressiva desses casos são reflexos do que Tarcísio de Freitas, que assumiu em 2023, defendeu durante a sua campanha eleitoral, valorizado o papel da intervenção do policial militar em situações de conflito como elemento central nas políticas de segurança pública.

“Casos Isolados”

O Governo do Estado costuma tratar esses episódios como “casos isolados”, apesar da frequência e do aumento expressivo dessas ocorrências.

Um exemplo foi a morte de Ryan da Silva Andrade Santos, de quatro anos, em Santos, em novembro de 2024. Ele foi atingido por um tiro enquanto brincava em frente à casa da prima. Segundo a própria PM, o disparo “provavelmente partiu de um policial militar”. Outro jovem, de 17 anos, também foi baleado e morreu na ação.

Dias depois, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, defendeu os policiais envolvidos: “Isso só aconteceu porque os policiais foram agredidos a tiros. Não era uma operação em andamento, é preciso contextualizar”.

No mesmo mês, Gabriel Renan da Silva Soares foi morto com pelo menos oito tiros pelas costas pelo policial militar Vinícius de Lima Britto, que estava de folga. O caso ocorreu no estacionamento de uma loja na Zona Sul de São Paulo. Gabriel teria tentado furtar produtos de limpeza. Com ele, havia apenas um cartão do SUS, dois papéis, uma nota de dólar e duas fotos.

Na madrugada de 20 de novembro, o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto durante uma abordagem. A PM alegou que ele estava agressivo e tentou pegar a arma de um dos policiais. No entanto, imagens das câmeras de segurança desmentem essa versão.

Já no dia 2 de dezembro, um vídeo registrou um policial militar empurrando um homem de uma ponte na zona sul da capital. O caso ocorreu na Vila Clara, região de Cidade Ademar. Treze agentes envolvidos foram afastados.

O que diz a SSP?

Questionada pela GAZETA, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou em nota que “as forças de segurança do Estado não compactuam com desvios de conduta ou excessos por parte seus agentes, punindo com absoluto rigor todas as ocorrências dessa natureza. As instituições policiais mantêm programas robustos de treinamento e formação profissional, além de comissões especializadas na mitigação de riscos, que atuam na identificação de não conformidades e no aprimoramento de procedimentos operacionais.

Por determinação da SSP, todos os casos de MDIP são investigados pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário. Desde 2023, mais de 550 policiais foram presos e 364 demitidos ou expulsos, reforçando o compromisso da Secretaria da Segurança Pública com a legalidade e a transparência.

Em relação aos fatos ocorridos no último domingo (18), todas as circunstâncias são investigadas pelo DHPP  (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e pela Polícia Militar por meio de IPM (Inquérito Policial Militar). Os policiais militares utilizavam as câmeras operacionais portáteis, cujas imagens serão analisadas no decorrer das investigações. As armas envolvidas na ação foram apreendidas e encaminhadas para perícia. Laudos periciais foram solicitados ao Instituto de Criminalística e IML e, assim que concluídos, serão analisados pela autoridade policial para auxiliar no esclarecimento do caso.”

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