Há alguns dias, Teco Menezes e Charlene Menezes, os pais de Mc Caverinha e Kayblack, que são grandes nomes do Trap nacional, procuraram a Gazeta para relatar a perseguição e o racismo velado, que a família tem sofrido desde o dia que se mudaram para o condomínio Aruã em Mogi das Cruzes.
A família possui uma grande história de superação desde quando tiveram sua casa demolida em meados de 2018 no bairro do Conjunto Santo Ângelo, até o sucesso extraordinário de seus filhos na música.
Ao chegarem na primeira casa, o casal relatou que uma situação curiosa aconteceu quando os vizinhos foram recebê-los: “os primeiros vizinhos que vieram nos receber trouxeram flores, a gente até achou legal. Eles tocaram a campainha e disseram que gostariam de conhecer os donos da casa, e pediram pra eu ir chamar a proprietária, quando eu disse que era eu, o casal se olhou sem graça. Ali eu percebi que não seríamos bem recebidos nesse lugar, mas deixei pra lá”, contou Charlene. Segundo ela, esses mesmos vizinhos foram os que após um tempo fizeram um abaixo assinado para tirar a família do condomínio, alegando que eram artistas e que fariam muito barulho.
Nesta casa em que moraram, durante o período de quase dois anos foram somados mais de R$ 150 mil em multas, quase todas alegando perturbação de sossego. Ao se mudarem para a segunda casa dentro do mesmo condomínio, a família esperava que as coisas fossem mudar e as multas parassem de chegar, mas não foi o que aconteceu. “Antes de nos mudarmos, falaram pra gente que essa rua era legal e que os vizinhos eram de boa. Nesta casa muita coisa mudou, os artistas que vinham com frequência não vem mais, não tem o estúdio que tinha na outra casa, e nem festas nós fazemos. Aqui nós até nos privamos de fazer algumas coisas para não receber multas, mas não adiantou”, explicou o casal.
Segundo Charlene, qualquer tipo de barulho seja um culto, uma oração antes de ir para um show ou até um churrasco à tarde são motivos para que a multa seja aplicada, e em alguns casos sem notificação prévia. “a multa ela só chega, tem vezes que não vem nem a notificação, só chega a conta no final do mês. Nesta casa, as multas já chegam a R$ 50 mil reais”, disse.
Preconceito
De acordo com o casal, a perseguição acontece pelo WhatsApp também. Após se infiltrar em um grupo do aplicativo que alguns condôminos participam, viram que seus vizinhos falavam mal não só deles mas também de outros artistas que moram ou já moraram no condomínio. Em uma das conversas, Charlene diz seu ponto de vista no grupo, e sua vizinha começa a diminuí-la por erros de ortografia (como mostra a imagem).

Racismo
Em uma ocasião dentro da área de convivência do condomínio, o Mc Caverinha, filho do casal, foi chamado de ‘macaco’ por outro adolescente. Os guardas foram chamados mas não abriram reclamação na administração e nada foi feito.
Posicionamento
Durante uma reunião informal, realizada na sede da administração do Aruã, três representantes do condomínio conversaram com a equipe da Gazeta e informaram que algumas reuniões foram feitas com os proprietários e em uma delas foi ofertado o salão de festas do local para que cultos e outras comemorações fossem realizados de forma que não incomodasse os demais vizinhos. Essa informação foi desmentida por Charlene, que, segundo ela, aconteceu apenas uma reunião durante todo o tempo em que estão lá, e o salão de festas nunca foi disponibilizado para a realização dos cultos.
Em nota, a direção do condomínio escreveu: “A Diretoria esclarece que é obrigação Estatutária o cumprimento das normas e regras que constam do Estatuto Social e Regulamento Interno, que foram devidamente aprovados em Assembleia. Determinação necessária para manter a harmonia, e segurança do condomínio, lembrando que a cooperação e o respeito mútuo são essenciais para uma convivência amistosa, tolerante e harmônica.”



