quinta-feira, 5 mar, 2026

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‘Não existe religião no mundo que pregue a morte’, diz sheik da Mesquita de Mogi

Líder da comunidade islâmica mogiana comenta guerra no oriente médio e preconceito com seu povo
Guilherme Alferes

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As últimas semanas têm sido marcadas, em todo o mundo, pelos horrores que têm acontecido em Israel e na Faixa de Gaza, na região da Palestina, desde o ataque do grupo paramilitar fundamentalista Hamas em solo israelense no fim de semana do dia 7 de outubro. Até o momento do fechamento desta edição, foram contabilizados cerca de 5,5 mil mortos, sendo 1,4 mil em Israel e 4,1 mil em Gaza.

Apesar da atenção atual ao tema pela comunidade internacional, essa história não começa agora e, portanto, sua complexidade não permite análises rasas. Exatamente por isso, a GAZETA procurou o sheik da Mesquita de Mogi das Cruzes, Faizan Abuque, para falar sobre como a comunidade islâmica mogiana tem reagido ao conflito e à forma como ele tem sido noticiado.

Condenando a violência extrema, o sheik faz questão de ressaltar que a disputa em questão, ao contrário do que se faz parecer, não é religiosa, mas política e por território. “Não existe religião no mundo que pregue a morte”, dispara.

Ele questiona, portanto, a maneira como a população muçulmana é tratada ao redor de todo o planeta, de forma bestializada a ponto de se normalizar a morte de mais de mil crianças no território de Gaza, além de alimentar discursos de ódio, como o que fez um homem, nos EUA, esfaquear uma criança de seis anos até a morte por sua origem palestina.

Questionado sobre como sua comunidade reagiu ao início do conflito, Faizan desabafou: “A primeira coisa que pensamos foi que algo ruim estava para acontecer.” De acordo com ele, tem crescido o medo de que já citado caso norte-americano se repita em solo mogiano.

O religioso traça um paralelo com a situação vivida pela população ucraniana após a invasão russa, em 2022, quando toda a comunidade internacional condenou os ataques russos à civis ucranianos: “Quando ocorreu na Ucrânia, os países, as Nações Unidas, todo mundo disse: ‘vocês não podem fazer isso, as pessoas estão sem comida, é um genocídio’. Todos concordamos, mas com a Palestina é diferente. O mesmo sentimento que a mãe ucraniana tem, a mãe palestina também tem.”

CATÓLICO SE POSICIONA – Considerando que na ocasião do ataque do Hamas a Israel havia um grupo de 16 moradores de Salesópolis em Jerusalém, que tiveram de ser resgatados pela diplomacia brasileira, a GAZETA procurou o bispo da Diocese de Mogi, Dom Pedro Luiz Stringhini, que se posicionou de modo condenatório ao ato terrorista, e também classificou a reação israelense como “sem nexo”.

“Não está adiantando de nada, matando tantos civis, os reféns continuam reféns e o Hamas não foi exterminado, então há de se buscar soluções eficazes, não de simples violência”, disse.

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