No ano em que a cidade de Ferraz de Vasconcelos completa 70 anos de sua emancipação, seu povo, claro, exala o orgulho de integrar a construção dessa jovem, porém marcante, história e parte importante desse processo passa também pelas cobranças por melhorias. Um dos principais alvos dessas cobranças, como em todo o país, tem sido a segurança pública.
Dentre as mazelas enfrentadas diariamente pelos ferrazenses neste tema, há uma que, no ano de 2023, teve uma frequência tão preocupante quanto a ineficiência das forças de segurança para combate-la: roubos e arrastões dentro de ônibus. À GAZETA, moradores relataram a dinâmica desse crime que tanto tem contribuído para a sensação de insegurança na cidade.
Um morador da região do Jardim São Miguel, que não quis se identificar por medo de represálias, contou que estava presente quando, no dia 11 de setembro, um ônibus da linha 005BI, que vai da estação Ferraz de Vasconcelos da CPTM à Cidade Kemel, foi assaltado. A ocorrência se deu na Avenida Tancredo Neves, na altura da EMEB Maria Inês Batista Camilo Gurgel.
Ele, por sorte, conseguiu sair do veículo a tempo de não ficar à mercê do bandido que adentrou o coletivo, rendeu o motorista e os passageiros, e ordenou que seguissem viagem, o que pode ser considerado também como sequestro.
Há relatos de pelo menos mais dois casos do tipo neste ano. Um deles foi no dia 31 de maio, na mesma linha e com o mesmo modus operandi, o que dá a entender que se trata da mesma quadrilha, e o outro em janeiro.
“Não é um fato isolado, só esse ano foram três”, disparou o munícipe, que diz ter feito seguidas manifestações nas redes sociais por respostas do poder público. Enquanto isso, segue tendo de fazer o percurso todos os dias, mesmo com o medo de que se repita.
Ele, contudo, tem a consciência de que, para que mudanças ocorram, é necessário que as vítimas façam boletim de ocorrência, como ele. Por isso, apela: “Quanto mais pessoas divulgarem, mais nossa voz será ouvida e a chance de termos esse problema, se não resolvido, amenizado vai ser maior.”
A GAZETA procurou a SSP-SP (Secretaria Estadual de Segurança Pública) para tentar as respostas que o homem não teve e obteve a seguinte frase: “A SSP não é responsável pelo policiamento dentro do transporte coletivo.” A Pasta, porém, disse também que a Polícia Civil “tem conhecimento dos fatos e já está empenhada em investigações para esclarecer os casos e identificar os autores”.
A prefeitura ferrazense, também questionada, ressaltou que “por meio de registros Boletim de Ocorrência, uma força-tarefa poderá realizar ações de planejamento que abranjam o itinerário e linhas de ônibus atingidas.”



