No próximo sábado (19), às 10h, o Largo do Rosário, em Mogi das Cruzes, será palco do “1º Ato Regional pelo Fim do Genocídio em Gaza e nas Periferias”, uma manifestação que pretende denunciar as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza e, ao mesmo tempo, lançar luz sobre a violência sistêmica enfrentada por moradores das periferias brasileiras, especialmente nas mãos da polícia.
O ato é organizado por uma frente composta por movimentos populares, partidos políticos, entidades educacionais e militantes independentes. “É um esforço coletivo para denunciar o inaceitável. O que está acontecendo em Gaza é um massacre sistemático promovido por um Estado organizado”, afirma Renan Castro, coordenador do Cursinho Popular Maio de 68, um dos organizadores, em entrevista à GAZETA.
O objetivo do ato será justamente traçar um paralelo entre a situação em Gaza e a violência nas periferias brasileiras.
“Em ambos os casos, você tem populações específicas – em Gaza, a palestina; aqui, a população negra e periférica – sendo sistematicamente assassinadas por agentes do Estado”, explica Castro.
Segundo ele, ações da Polícia Militar em comunidades pobres reproduzem um modelo de violência institucional que remonta ao período da escravidão no Brasil e que segue se atualizando através de operações policiais letais.
Além da denúncia, o ato também pretende cobrar uma postura mais firme do governo federal brasileiro frente às ações do Estado de Israel. A proposta é que o Brasil siga o exemplo histórico do boicote internacional que ajudou a pôr fim ao regime do apartheid na África do Sul, por exemplo. “Queremos pressionar por sanções econômicas, culturais e políticas. É preciso romper com a cumplicidade”, defende Castro.
Embora reconheça as limitações e dificuldades de mobilização, especialmente em uma região com pouca tradição em atos políticos de esquerda, a organização espera reunir entre 300 e 400 pessoas no ato. O ato será aberto ao público e deve contar com falas políticas, apresentações culturais e faixas com mensagens de solidariedade à Palestina e contra o genocídio negro nas periferias brasileiras. A concentração será a partir das 10h no Largo do Rosário, no centro de Mogi.



