Mogi das Cruzes pode não ter sido fundada em 1560, como sugere a história oficial, mas sim em 1601, segundo pesquisas do historiador Isaac Grinberg. O documentário “Uma outra história sobre Mogi das Cruzes”, do comunicador Fernando Mancio, investiga essa tese e promete abrir um debate sobre a verdadeira origem da cidade.
Historicamente, a cidade teve como fundação a chegada de Brás Cubas, em 1560. Entretanto, pesquisas históricas indicam que a realidade pode ter sido outra. De acordo com Grinberg, em seu livro “Gaspar Vaz: fundador de Mogi das Cruzes”, o vilarejo só teria se consolidado em 1601, com Gaspar Vaz como fundador. Isso porque a presença de tribos indígenas na região era constante, e ataques a vilas próximas, como São Paulo de Piratininga, em 1590, tornariam improvável, décadas antes, a existência de um vilarejo organizado.
É justamente para investigar essa questão histórica que Fernando Mancio lança o documentário. Segundo ele, a principal questão que será explicada é por que Gaspar Vaz, em 1601, é considerado o fundador, e não Brás Cubas, em 1560.
“O projeto busca confrontar a narrativa oficial e incentivar o debate social e cultural sobre o passado de Mogi das Cruzes”, afirma Mancio. O documentário combina dramatizações, entrevistas com historiadores e pesquisa detalhada baseada no livro de Grinberg.
Mancio conta que a ideia surgiu ainda em 2005, durante um período em que trabalhou voluntariamente na biblioteca da escola estadual Benedito de Sousa Lima, no distrito de Taiaçupeba. “Entre os livros, encontrei o de Isaac Grinberg. Fiquei interessado, comecei a ler e pensei: ‘isso dá um documentário’”, lembra.
Após anos arquivado, o projeto ganhou força em 2023, quando Mancio, junto com os colegas Eberton Moraes e Alan Caetano, conseguiu aprovar o documentário na Lei Rouanet. A produção agora entra na fase de captação de recursos para execução e exibição.
O documentário pretende homenagear Grinberg e esclarecer fatos históricos. “O livro traz detalhes do começo da colonização paulista e explica por que Gaspar Vaz, e não Brás Cubas, fundou Mogi. Vamos dramatizar episódios, incluir trilha sonora original com músicos locais e entrevistas com historiadores para dar contexto”, explica Mancio.
Além do debate cultural, o documentário terá foco educativo. Ele será disponibilizado gratuitamente no YouTube e terá exibições com palestras em escolas e espaços públicos. “Queremos relatar fatos, não impor opiniões. Mas esperamos que a produção inicie um debate e incentive o público a refletir sobre a história da cidade”, conclui o jornalista.


