De acordo com levantamento de maio deste ano da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), 1.095 brasileiros estão atualmente internados em hospitais aguardando vagas em clínicas de diálise. Essa cruel – e possivelmente subnotificada – realidade se repete por todos os cantos do país, e não seria diferente no Alto Tietê. Em Itaquaquecetuba, no entanto, o Grupo IMON, especialista em atendimentos de nefrologia, hemodiálise e hemodiafiltração, surgiu como um importante aliado nessa luta.
Em vias de ser inaugurada, a Clínica de Hemodiálise de Itaquá, localizada na Praça Nove de Julho, no Centro, junto ao Hospital Dr. Previna, da Plena Saúde, se propõe a enfrentar o problema. A unidade deve começar a atender pacientes de planos de saúde em aproximadamente 40 a 60 dias.
Somente em Itaquá, estima-se que cerca de 200 pessoas precisem realizar hemodiálise fora do município por falta de estrutura local.
Após o credenciamento junto ao SUS — processo que pode levar até um ano, dependendo dos trâmites burocráticos —, o serviço será ampliado para a rede pública. A clínica terá capacidade para atender cerca de 230 pacientes. Além das mais de 20 máquinas, que já estão instaladas no local, a clínica terá consultórios médicos, psicólogos, nutricionistas e até fisioterapia.
De acordo com o médico Lucas Moreira, diretor do Grupo IMON, a unidade foi planejada para ser referência no atendimento de hemodiálise em toda a região do Alto Tietê. Além de Itaquá, a clínica atenderá pacientes de Mogi das Cruzes, Suzano, Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Santa Isabel, Poá e Salesópolis. “Todo serviço de alta complexidade conveniado ao SUS precisa ter caráter regional. A clínica de Itaquá não atenderá apenas o município, mas boa parte da demanda reprimida de toda a região”, afirma.
Moreira ressalta, no entanto, que manter um serviço como esse exige esforço contínuo e soluções criativas para enfrentar o subfinanciamento. Segundo ele, além dos atendimentos por convênio, o grupo mantém contratos com hospitais para realizar sessões de hemodiálise à beira-leito e recorre, quando necessário, a financiamentos bancários: “É uma equação que não fecha. Sem reajuste e com os custos aumentando, manter uma clínica de hemodiálise se torna um desafio diário. Mas é um esforço necessário. O paciente renal não pode esperar. Ele precisa de atendimento contínuo, digno e perto de casa.”
Segundo a própria SBN, o custo médio por sessão do tratamento é de R$ 393 com impostos. O SUS (Sistema Único de Saúde), no entanto, paga R$ 240,97.
A nova clínica reforça a presença do Grupo IMON no Alto Tietê. A expectativa é que, com o avanço da unidade de Itaquá, a fila de espera por atendimento na região comece, enfim, a diminuir. A expansão do serviço, segundo Lucas Moreira, seguirá ocorrendo conforme houver viabilidade técnica, financeira e apoio do poder público.




