Esta quarta-feira (8) amanheceu agitada para governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente para o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que teve conversas com o empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP, vazadas pela Polícia Federal e publicadas pelo jornal Folha de São Paulo. A suspeita é de que o político e o sócio oculto da construtora Construservice mantinham um esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas para obras no Maranhão.
As mensagens foram obtidas pela PF no celular de Eduardo, apreendido em julho de 2022, na primeira fase da operação deflagrada para investigar supostos desvios em contratos da Construservice com a Condevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), estatal federal responsável por obras que “diminuam as desigualdades regionais”. Eduardo DP não consta como sócio da empresa em nenhum meio oficial, apesar de sê-lo.
As conversas divulgadas nesta quarta-feira (8) ocorreram entre 2017 e 2020, quando Juscelino exercia seu primeiro mandato como deputado federal, pelo União Brasil. Nelas, os homens conversam sobre a destinação de emendas parlamentares, que deveriam ser destinadas a obras no Maranhão.
Ainda não há conclusão sobre o total dos valores desviados pelo suposto esquema no período, mas as expectativas são altas, pela quantidade de contratos milionários envolvendo Juscelino, Eduardo DP e a Condevasf. ESegundo dados obtidos no Portal da Transparência, há cerca de R$ 160 milhões empenhados para a Construservice pelo governo federal; R$ 24 milhões deles já foram pagos.
Juscelino Filho é apontado pelo relatório da investigação como o chefe do esquema. Até o momento da publicação desta matéria, porém, ele segue no cargo de Ministro.
À Folha, os advogados do político se manifestaram o declarando como inocente e classificando as acusações como “ilações absurdas”. “São absurdas ilações de que Juscelino tenha tido qualquer proveito pessoal com sua atividade parlamentar, sobretudo construídas a partir de supostas mensagens sem origem e fidedignidade conhecidas”, diz a nota.



