Isolada com mais reclamações no país, Hapvida NotreDame entra na mira do MP

Má prestação de serviços faz grupo enfrentar crise judicial e ver ações despencarem na bolsa; empresa nega que afete cliente do Alto Tietê
Fachada do Hospital Santana, em Mogi das Cruzes (SP), que pertence à NotreDame Intermédica
Fachada do Hospital Santana, em Mogi das Cruzes (SP), que pertence à NotreDame Intermédica - Foto: Bruno Arib

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O maior conglomerado de planos de saúde do Brasil, o grupo Hapvida NotreDame Intermédica enfrenta nos últimos dias uma das maiores crises de sua história, se não a maior, depois de virar alvo do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) por descumprimento de decisões judiciais. O inquérito, instaurado no dia 12 de janeiro, cita cerca de 80 casos em que o grupo é acusado de não cumprir ordens judiciais que o obrigava a fornecer tratamentos e medicamentos a seus clientes.

Depois de a imprensa noticiar, o imbróglio começou a se converter em prejuízos econômicos, com os valores de suas ações na bolsa de valores despencando dia após dia. No início da tarde da sexta-feira (26), a Hapvida chegou a figurar na lista de ações com “maiores baixas” no site da B3.

No último ano, a GAZETA fez uma série de reportagens denunciando serviços mal prestados pela operadora em Mogi das Cruzes, Arujá e em todo o país, como quando foi publicado o levantamento das empresas com o maior número de reclamações na ANS (Agência Nacional de Saúde) no ano de 2022, tanto no estado de São Paulo, quanto nacionalmente, e a NotreDame liderou os dois cenários com ampla vantagem.

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Considerando o cenário atual do grupo, a GAZETA questionou novamente a agência, desta vez sobre os números referentes a 2023, que consolidaram a tendência do período anterior e ajudam a entender como chegaram ao estado atual.

No “top 10” de operadoras com mais reclamações em 2023, a NotreDame não só se manteve em primeiro, como aumentou para 42.848 delas só em São Paulo, mais que o dobro da segunda colocada, a Bradesco Saúde, que teve 16.473. Nacionalmente, a liderança continua, com 48.943 reclamações, à frente da Bradesco Saúde, com 37.332, e da Hapvida, com 28.041.

Ou seja, somando apenas as duas maiores empresas do grupo, que conta com oito delas, 76.984 pessoas se sentiram insatisfeitas com os serviços pelos quais pagaram.

Segundo a ANS, os motivos mais recorrentes foram: “Regras para Acesso aos Atendimentos”, “Prazos Máximos para Atendimento”, “Rede de Atendimento (rede conveniada)”, “Rol de Procedimentos e Cobertura Contratual” e “ Reembolso”.

O que diz a empresa?

Questionada sobre como a crise vivida pela empresa pode afetar os clientes da região do Alto Tietê, a NotreDame enviou a seguinte nota: “A empresa está totalmente empenhada no seu compromisso com a vida de seus clientes, com a qualidade do atendimento oferecido e com a sustentabilidade do setor. Na Região do Alto Tietê, não seria diferente. Toda a estrutura da companhia está à disposição para atender seus clientes com excelência e segurança, sempre alinhada às normativas da ANS (Agência Nacional de Saúde). Em relação ao questionamento, não há qualquer impacto para os clientes da região. A empresa reforça que continua à disposição do Poder Judiciário e do Ministério Público, para quaisquer esclarecimentos.”

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