No Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo, 22 de março, o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) de Mogi das Cruzes destaca o avanço de investimentos e ações voltadas à melhoria do saneamento na cidade. As medidas fazem parte de uma estratégia de reestruturação e modernização do sistema, com foco na ampliação do atendimento e na recuperação dos indicadores.
Em entrevista à GAZETA, o diretor-geral José Luiz Furtado Freire, o Zé Luiz, detalhou o funcionamento do sistema, os desafios atuais e os investimentos previstos para a cidade. Atualmente, o Semae conta com cerca de 350 servidores diretos e, somando equipes terceirizadas, chega a aproximadamente 600 trabalhadores envolvidos na operação. “É uma estrutura grande e complexa, responsável por mais de 170 mil ligações de água”, explicou.
A água que chega às torneiras passa por um longo processo: é captada no Rio Tietê, tratada em estações como a ETA Centro e a ETA Leste, em César de Souza, e distribuída por uma extensa rede subterrânea. Hoje, o sistema trata cerca de 1.300 litros por segundo, além de outros 500 litros adquiridos da Sabesp, totalizando aproximadamente 1.500 litros por segundo para abastecer os mais de 460 mil habitantes da cidade.
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Investimentos
Como parte da estratégia de melhoria dos indicadores, estão previstos mais de R$ 400 milhões em investimentos para os próximos anos, incluindo obras de esgotamento sanitário, ampliação da ETA Leste e projetos ligados ao programa Renasce Tietê, que visa ampliar a coleta e o tratamento de esgoto e reduzir a poluição do rio. A meta é cumprir o Marco Legal do Saneamento até 2033, com expectativa de antecipação. Hoje, Mogi já atende cerca de 95% da população com água tratada.
Entre os principais desafios está a redução das perdas de água, que envolvem tanto vazamentos quanto ligações não regularizadas. Para enfrentar o problema, o Semae aposta em tecnologias como o geofonamento, substituição de redes antigas e regularização de áreas. A meta é melhorar os índices até 2027.
Outro ponto de atenção é a necessidade de manutenção constante, que pode gerar interrupções no abastecimento. “São ações preventivas ou corretivas em uma rede extensa e complexa. Isso é essencial para garantir a qualidade do serviço”, explicou.
Descaso da gestão anterior
No cenário nacional, o município aparece na 67ª posição no ranking do Instituto Trata Brasil divulgado na última terça-feira, 17, após ocupar a 60ª colocação anteriormente. Segundo Zé Luiz, o resultado reflete a falta de investimentos em anos anteriores, e deve ser diferente para melhor nos próximos levantamentos: “Estamos reestruturando a autarquia e planejando avanços para melhorar não só a posição no ranking, mas a qualidade do serviço.”
As mudanças climáticas também preocupam. Segundo o diretor, embora o risco de crise hídrica exista, a cidade tem conseguido manter o abastecimento com planejamento e ações técnicas.
No Dia Mundial da Água, o Semae também reforça ações de conscientização ambiental com visitas monitoradas e atividades educativas. “A água é um recurso finito. O uso consciente é fundamental”, destacou Zé Luiz.
Patrimônio
Prestes a completar 60 anos, a autarquia é considerada um patrimônio do município.

“Nosso maior desafio é universalizar o saneamento, principalmente o tratamento de esgoto. Estamos trabalhando para garantir mais saúde e qualidade de vida para a população”, concluiu o diretor.



