O Rio Tietê morre a cada ano que passa. Os esforços e investimentos que o Governo do Estado de São Paulo afirma veementemente realizar para a recuperação do rio não têm sido suficientes. Na mais recente edição do estudo Observando o Tietê, a Fundação SOS Mata Atlântica revelou dados preocupantes sobre a qualidade do maior rio paulista.
Em 2025, dos 55 pontos monitorados, os resultados foram: um ponto de boa qualidade, 34 regulares, 15 ruins e 5 péssimos. Nenhum ponto foi considerado ótimo.
Ao analisar 45 pontos acompanhados nos dois últimos períodos consecutivos (2023-24 e 2024-25), os dados de 2025 indicam uma piora na qualidade da água do Rio Tietê em relação a 2024. Embora o número de pontos classificados como péssimos tenha diminuído de seis para cinco, houve aumento significativo nas categorias intermediárias e negativas: os pontos regulares subiram de 27 para 28 e os ruins de 9 para 11. Já os pontos de boa qualidade caíram de três para apenas um e, assim como no ano anterior, nenhum ponto atingiu a classificação ótima, mostrando que a recuperação do rio ainda está distante do ideal.
Para o monitoramento da qualidade da água, foram realizadas 387 análises — ante 379 no ano anterior — por grupos voluntários e pela equipe técnica da Fundação, em 55 pontos de coleta distribuídos em 41 rios, sendo 10 no próprio Tietê, nas bacias do Alto Tietê, Sorocaba/Médio Tietê e Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Essas regiões abrangem 102 municípios e correspondem a 50% da área de drenagem do rio.
No Alto Tietê, a Fundação SOS Mata Atlântica mantém cinco pontos de monitoramento: dois em Mogi das Cruzes, dois em Suzano e um em Itaquaquecetuba. Em Itaquá, o ponto de monitoramento do Rio Tietê apresentou tendência de melhora, saindo da condição péssima para ruim. Por outro lado, o córrego do Balainho, em Suzano, passou da condição boa para regular.
Para mensurar a evolução da mancha de poluição no Tietê, os resultados obtidos nesses pontos da Fundação foram combinados com dados oficiais da Cetesb, a fim de complementar os trechos onde não há grupos de monitoramento. Essa análise conjunta mostrou que a extensão da mancha de poluição diminuiu de 207 km em 2024 para 174 km em 2025, uma redução de 15,9%.
No entanto, no Alto Tietê, as análises apontam uma queda na presença de trechos com boa qualidade da água, devido ao comprometimento de um ponto na região do Alto Tietê-Cabeceira, em Mogi das Cruzes, que passou de boa para regular em relação a 2024.
Em contrapartida, um ponto em Suzano e outro em Itaquá melhoraram, saindo da condição péssima para ruim, enquanto um ponto em Itaquaquecetuba permanece péssimo. Em toda a extensão do rio, apenas os trechos em Salesópolis e Biritiba Mirim apresentam boa qualidade dentro da análise da mancha de poluição.
Em nota, a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) informou que, por meio do programa IntegraTietê, que prevê uma série de medidas de curto, médio e longo prazo em prol do maior rio do Estado, “já garantiu investimentos de mais de R$ 22 bilhões em ações de despoluição desde 2023, com resultados expressivos em diferentes frentes”.




