sexta-feira, 10 abr, 2026
Leitura: Fratura de quadril após queda em idosos preocupa profissionais de saúde e famílias no Alto Tietê

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Fratura de quadril após queda em idosos preocupa profissionais de saúde e famílias no Alto Tietê

Quedas em idosos podem causar fratura de quadril e outras complicações graves; veja como prevenir, identificar riscos e tratar corretamente
Da Redação

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Uma queda no banheiro, um tropeço no tapete da sala ou um escorregão na calçada molhada podem parecer acidentes simples. Para quem é mais jovem, muitas vezes tudo termina em um susto e uma dor passageira. Na terceira idade, porém, o desfecho pode ser muito mais grave.

A fratura de quadril após queda está entre as complicações ortopédicas mais preocupantes entre idosos e se tornou um problema crescente no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2023 e 2024, 11.801 pessoas idosas morreram em decorrência de acidentes domésticos no país. A queda foi a principal causa, com maior número de óbitos entre pessoas acima de 80 anos.

O cenário preocupa ainda mais em regiões onde a população envelhece rapidamente, como o Alto Tietê. Com mais idosos vivendo sozinhos ou com mobilidade reduzida, cresce também a pressão sobre os serviços de saúde, já que esse tipo de fratura costuma exigir internação, cirurgia e um processo de reabilitação prolongado.

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O que acontece com o quadril quando o idoso cai

A articulação do quadril conecta o fêmur à bacia. É uma das articulações que mais suporta peso no corpo humano. Quando uma pessoa jovem cai, a musculatura e a densidade óssea normalmente absorvem o impacto sem maiores danos.

“No idoso, a combinação de perda de massa óssea (osteoporose), fraqueza muscular e tempo de reação mais lento faz com que uma queda simples se transforme em fratura”, observa Dr. Tiago Bernardes, ortopedista de quadril em Goiânia.

A fratura do colo do fêmur, que atinge a região próxima à cabeça do osso, é a mais frequente. Ela costuma exigir cirurgia, que pode variar entre a fixação com placas e parafusos ou a substituição parcial ou total da articulação por uma prótese.

De acordo com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, estima-se que uma em cada três pessoas com mais de 65 anos sofre alguma queda. A cada 20 idosos que caem, um deles terá uma fratura ou precisará de internação. Entre os maiores de 80 anos, a proporção sobe: 40% caem a cada ano.

O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), financiado pelo Ministério da Saúde, identificou uma prevalência de 25% de quedas entre idosos que vivem em áreas urbanas. Desses, 1,8% das quedas resultaram em fratura de quadril ou fêmur, e quase um terço desse grupo precisou passar por cirurgia de prótese.

Os riscos vão além da fratura

O problema não se encerra na sala de cirurgia. A fratura de quadril no idoso funciona como um gatilho para uma sequência de complicações. A imobilização prolongada favorece infecções pulmonares, trombose venosa e perda muscular acelerada.

Para especialistas do COE, centro especializado em tratamento ortopédico de Goiânia, muitos pacientes que fraturavam o quadril com independência para caminhar e realizar atividades do dia a dia não recuperam o mesmo nível de mobilidade após a lesão.

Pesquisa publicada pela Revista Brasileira de Ortopedia, conduzida no Hospital Universitário Mãe de Deus (RS), analisou 213 pacientes idosos com fratura de fêmur proximal e encontrou uma taxa de mortalidade de 23,6% no primeiro ano após a cirurgia.

As comorbidades mais associadas ao óbito foram anemia e demência. O estudo também identificou que pacientes que tiveram alta hospitalar em até sete dias após a operação apresentaram maior sobrevida.

Um levantamento publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva reforçou que, se o padrão de crescimento das internações por quedas em idosos não mudar, o gasto estimado para o sistema de saúde brasileiro poderia alcançar R$ 260 milhões ao ano. O dado revela que a prevenção de quedas não é apenas uma questão clínica, mas também uma demanda econômica.

Prevenção começa dentro de casa

A maioria das quedas em idosos acontece no ambiente doméstico. Dados da literatura apontam que 66% dos acidentes ocorrem dentro da própria residência, principalmente no quarto e no banheiro. Pisos irregulares, tapetes soltos, iluminação insuficiente e a ausência de barras de apoio são os fatores ambientais mais citados.

No Alto Tietê, onde parcela significativa da população idosa reside em bairros periféricos com infraestrutura urbana irregular, o risco é agravado por calçadas em mau estado, rampas inadequadas e acesso limitado a programas de atividade física voltados ao equilíbrio e fortalecimento muscular.

A prevenção não depende apenas de adaptar o ambiente. A avaliação médica periódica é parte central da estratégia. Exames de densitometria óssea, controle de pressão arterial, revisão de medicamentos que possam causar tontura e acompanhamento oftalmológico fazem diferença concreta na redução do risco de queda.

Treinos de equilíbrio e fortalecimento, quando orientados por profissionais, reduzem a probabilidade de cair em até 25%, segundo dados da Biblioteca Virtual em Saúde.

Quando a fratura acontece, a escolha do especialista muda o resultado

Nem toda fratura de quadril é igual. O tipo de fratura, a qualidade óssea do paciente, a idade e a presença de outras doenças determinam o tratamento.

Em alguns casos, a fixação cirúrgica com material metálico resolve. Em outros, a substituição da articulação por prótese é a melhor alternativa. A decisão cabe ao ortopedista com experiência nesse tipo de lesão.

A busca por um ortopedista especialista em quadril da Unimed com formação voltada para essa articulação é um passo que muitas famílias negligenciam na urgência do momento. O primeiro hospital disponível nem sempre conta com equipe treinada para avaliar a complexidade do caso, planejar o tipo de implante adequado e conduzir a reabilitação no pós-operatório.

A experiência do cirurgião influencia desde o tempo de cirurgia até a taxa de complicações como infecção, luxação da prótese e necessidade de reoperação.

Os avanços das técnicas cirúrgicas nas últimas duas décadas também mudaram o prognóstico. Próteses modernas com materiais de baixo atrito, protocolos de reabilitação acelerada e cirurgias minimamente invasivas encurtaram o tempo de recuperação e melhoraram os índices de satisfação.

Dados do DATASUS mostram que, entre 2012 e 2021, o sistema público realizou mais de 251 mil artroplastias totais de quadril, com a Região Sudeste concentrando mais de 50% dos procedimentos. Em 2023, foram 28.136 cirurgias de prótese de quadril realizadas pelo SUS apenas entre janeiro e novembro.

A artroplastia de quadril é considerada por publicações internacionais como uma das cirurgias ortopédicas com maior índice de sucesso. Quando bem indicada e executada por equipe experiente, a durabilidade do implante ultrapassa 15 anos em mais de 95% dos casos.

O paciente costuma voltar a andar com auxílio no dia seguinte ao procedimento, e a recuperação completa leva em média dois a três meses.

O papel das clínicas com equipe multidisciplinar

A recuperação do idoso que fraturou o quadril não termina na alta hospitalar. Fisioterapia precoce, acompanhamento nutricional e monitoramento clínico são etapas que determinam se o paciente vai retomar suas atividades ou permanecer com limitações permanentes. Estudos apontam que idosos que iniciam a movimentação em até 10 dias após a cirurgia apresentam menores taxas de mortalidade nos meses seguintes.

Goiânia, por exemplo, se consolidou nos últimos anos como polo de referência em ortopedia, atraindo pacientes de outros estados. Centros que reúnem especialistas em diferentes articulações, como clínicas ortopédicas com especialistas em quadril, oferecem uma estrutura que vai do diagnóstico à reabilitação, passando por cirurgias com técnicas atualizadas e acompanhamento individualizado.

Para as famílias do Alto Tietê, onde nem todas as cidades contam com serviços de ortopedia especializados em quadril, saber que existem centros de referência acessíveis pode fazer diferença na hora de tomar a decisão sobre o tratamento de um parente idoso.

O que famílias e cuidadores podem fazer agora

A fratura de quadril em idosos não é uma fatalidade inevitável. A combinação de ambiente doméstico seguro, acompanhamento médico regular e fortalecimento muscular reduz o risco de queda de forma significativa. Quando o acidente acontece, a rapidez na busca por atendimento especializado e a qualidade da equipe cirúrgica são os fatores que mais pesam no resultado.

O envelhecimento da população do Alto Tietê está em curso e não vai recuar. A cada ano, mais famílias vão conviver com parentes idosos que dependem de cuidado e atenção para manter a autonomia.

Investir em prevenção, adaptar a casa e conhecer antecipadamente os caminhos para o tratamento ortopédico são atitudes que protegem a saúde e a qualidade de vida de quem já contribuiu décadas para a região.

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