Por conta das condições meteorológicas, a Fest Favela, promovida pela Central Única das Favelas (CUFA) de Arujá, precisou ser adiada. Antes marcada para o dia 8 de novembro, a nova data do evento será 29 de novembro, a partir das 10h, no Favelinha do Barreto, em Arujá.
O evento, que conta com apoio da Secretaria da Mulher e da Secretaria de Desenvolvimento Social de Arujá, deve reunir artistas locais, batalhas de rima, sorteios e ações voltadas à comunidade. De acordo com o presidente da CUFA Arujá, Osvaldo Rizatto, o objetivo vai muito além do entretenimento.
“A Favela Fest é mais do que uma festa numa favela. Vai muito além disso. O evento vem para trazer consciência das dificuldades do local, dar visibilidade às comunidades, conscientizar sobre preconceito e racismo, e fortalecer os empreendedores e artistas locais”, destacou Rizatto.
A programação contará com apresentações de artistas da região, batalha de rima com premiação, além do sorteio de cinco patinetes e cestas básicas. O evento também deve oferecer serviços e orientações do Sebrae Móvel e do caminhão da Secretaria de Saúde, com distribuição de preservativos e informações sobre saúde pública.
Mais do que um encontro cultural, a Fest Favela é um espaço de fala e escuta.
“É um momento da pessoa se expressar, de mostrar a realidade da favela e de quem vive nela”, afirmou o presidente.
CUFA Arujá: transformação e oportunidades
Fundada em 2018, a CUFA Arujá tem se consolidado como uma importante ponte entre o poder público, empresas e comunidades em situação de vulnerabilidade. Durante a pandemia, a entidade cresceu de forma significativa, arrecadando cestas básicas, produtos de higiene, gás e cartões VR de R$100.
“A CUFA faz esse trabalho não só de doações, mas de conscientização, de mostrar o problema e trabalhar em cima dele para mudar realidades”, explicou Rizatto.
Entre as ações de destaque da instituição estão o projeto “Mães da Favela” e a “Taça das Favelas do Alto Tietê”, que revelou talentos do futebol da região.
Novos projetos e parcerias
Para 2025, a CUFA planeja ampliar seu impacto com a criação de um espaço de oficinas gratuitas que oferecerá cursos de desenho, artesanato, costura, serralheria e vidraçaria. A meta é capacitar alunos em até 90 dias e inseri-los no mercado de trabalho.
Uma parceria com a empresa Servflex, de Arujá, já garantiu a doação de duas máquinas de fabricação de cordas, além da promessa de contratar alunos que se destacarem.
Outro projeto previsto é o “Minha Minhoca”, que incentiva a compostagem e o cultivo sustentável, permitindo que famílias produzam alimentos, adubo e mudas para venda. As inscrições para as oficinas começam em janeiro, com início das aulas previsto para fevereiro.
Reconhecimento e desafios
Mesmo com o apoio da Prefeitura de Arujá, Rizatto reconhece que ainda há resistência em reconhecer publicamente a existência das favelas na cidade.
“Políticas públicas têm que chegar nesses locais. O prefeito é parceiro, mas ainda há receio de falar abertamente sobre as favelas”, afirmou.
Segundo levantamento feito pela CUFA em parceria com o IBGE, existem ao menos quatro comunidades catalogadas em Arujá — Tecnom, Vale Verde, Favelinha, Buraco do Sapo, Bananal e Abeira Rio, mas o número real pode ser ainda maior.
Para Rizatto, o maior retorno do trabalho vem do reconhecimento da comunidade.
“Em dinheiro eu não vou falar que tenho retorno, mas quando recebo um áudio de uma mãe agradecendo, isso é o maior pagamento que a gente pode ter como ser humano.”





