Após a Prefeitura de Mogi das Cruzes renovar e ampliar a frota do transporte público com 45 novos ônibus e reajustar o valor da tarifa, o ex-prefeito do município, Caio Cunha (PODE), publicou um vídeo em suas redes sociais criticando a atual gestão, acusando-a de “maquiar os fatos”. Segundo ele, tal ação irá impactar negativamente a população muito mais do que o esperado. A atual administração, no entanto, rebate, informando que a medida visa justamente resolver mais um problema deixado pelo ex-prefeito.
No vídeo, Caio Cunha inicia sua fala abordando o reajuste da tarifa, de R$ 5,00 para R$ 5,30, argumentado que o aumento para os munícipes foi, na verdade, superior aos R$ 0,30 anunciados. Ele explica que, enquanto a tarifa subiu apenas R$ 0,30, o valor do subsídio da prefeitura passou de R$ 0,70 para R$ 1,30, o que, segundo ele, resulta em um custo adicional à população.
Na versão do atual governo, em dezembro de 2024, ainda durante a transição, as empresas apresentaram o pedido de revisão da tarifa. A solicitação foi rejeitada pela atual gestão, que alegou que não aceitaria qualquer pedido de mudança na tarifa sem que os serviços fossem todos reavaliados e que as pessoas tivessem um transporte de qualidade, seguro e sem atrasos. Assim, deu-se início a uma ampla negociação, liderada pelo vice-prefeito Téo Cusatis (PSD).
Segundo ele, as negociações seguiram rigorosamente os parâmetros legais e foram feitas com base no cumprimento do contrato firmado com as empresas, além da necessidade de garantir o equilíbrio financeiro e econômico das concessionárias – uma responsabilidade que não foi cumprida pela gestão anterior, resultando em uma dívida de R$ 33.856.115,82 ao município.
Esse valor é fruto da compressão tarifária feita para manter a tarifa em R$ 5,00 na catraca durante a gestão Caio Cunha. Agora, as empresas Princesa do Norte e MogiMob irão cobrar este valor na Justiça, pela falta de reajuste previsto em contrato nos dois últimos anos.
Outro ponto que o vice-prefeito alertou é que as empresas receberam indenizações da prefeitura no total de R$ 80.516.612,76, sendo R$ 14 milhões em 2023 pela “produção antecipada de provas devido à compressão tarifária nos anos de 2018, 2019 e 2020”; R$ 42 milhões pagos no dia 3 de janeiro de 2024 para a MogiMob como “indenização pelo desequilíbrio causado pela pandemia do novo coronavírus”; e outros R$ 24.516.612,76, no dia 8 de abril de 2024, para a Princesa do Norte pelas mesmas razões.
Ou seja, caso a Justiça seja favorável às concessionárias e o valor da dívida precise ser quitado, além do que pagou na catraca, cada mogiano vai tirar do próprio bolso R$ 253,31 para custear o congelamento da tarifa em R$ 5,00 nos últimos três anos. O valor total gasto pela população mogiana é de R$ 114.372.728,54.
No final das contas, a prefeitura se viu agora obrigada a reajustar em 6% o preço da passagem na catraca. Era necessário para que as empresas concessionárias pudessem continuar prestando um serviço com mais qualidade para a população, equilibrar as contas públicas, gerenciar a crise financeira herdada e ainda evitar futuras cobranças. No entanto, mesmo com o reajuste, a tarifa de ônibus em Mogi das Cruzes segue sendo uma das menores do Estado de São Paulo.
NOVA FROTA – Em relação aos 45 novos ônibus, o ex-prefeito alega que não são “nada mais do que uma obrigação contratual”. Curiosamente, diz o atual governo, ele não cumpriu essa obrigação nos dois últimos anos. De fato, 36 veículos já estavam previstos no contrato com as empresas responsáveis pelo serviço na cidade. Mas seis deles foram uma conquista da atual gestão, como uma das formas de contrapartida ao reajuste da tarifa, oferecendo maior conforto, segurança e tranquilidade aos passageiros.




