O preço da cesta básica subiu nas 27 capitais brasileiras, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
São Paulo segue com o maior custo médio (R$ 883,94), enquanto Aracaju registra o menor valor (R$ 598,45).
Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite. De acordo com o estudo, o excesso de chuvas nas principais regiões produtoras impactou diretamente a oferta, especialmente dos três primeiros itens. Em contrapartida, o açúcar apresentou queda em 19 capitais, influenciado pela maior disponibilidade no mercado.
As maiores altas foram registradas em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%) e Belo Horizonte (6,44%). Também tiveram aumentos relevantes Aracaju, Natal, Cuiabá, João Pessoa e Fortaleza.
Em valores absolutos, além de São Paulo, destacam-se Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93).
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621, o trabalhador precisou, em média, de cerca de 109 horas para adquirir a cesta básica. O comprometimento da renda líquida atingiu 48,12% em março de 2026, acima dos 46,13% registrados no mês anterior.
O tempo médio de trabalho necessário para a compra dos itens foi de 97 horas e 55 minutos, superior ao registrado em fevereiro (93 horas e 53 minutos), mas inferior ao de março de 2025.
Na comparação anual, houve aumento em 13 capitais e redução em quatro. As maiores elevações ocorreram em Aracaju, Salvador e Recife, enquanto Brasília e Florianópolis apresentaram as principais quedas.
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Impacto das chuvas no feijão
O feijão teve alta em todas as capitais. O tipo preto registrou aumentos entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Já o feijão carioca subiu entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém).
Segundo o levantamento, a alta está relacionada à menor oferta, causada por dificuldades na colheita, redução da área plantada e expectativa de queda na produção.
O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Lüders, destacou os impactos do clima.
“Em muitos casos, o produtor colheu metade do esperado”, afirmou.
A produção também enfrenta atrasos em estados como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuvas reduziu a janela de plantio e levou à substituição de culturas.
Atualmente, o feijão carioca chega a R$ 350 por saca, com expectativa de queda no segundo semestre, durante a safra irrigada. Já o feijão preto varia entre R$ 200 e R$ 210, podendo subir diante da menor produção recente.
A Conab estima produção superior a 3 milhões de toneladas, com leve alta de 0,5% em relação ao ciclo anterior.
Salário mínimo ideal
O Dieese também calcula o salário mínimo necessário para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas. Em março, o valor estimado foi de R$ 7.425,99 — o equivalente a 4,58 vezes o mínimo atual.
*Por Agência Brasil


