Estrada dos Índios: história de uma das principais vias de Itaquaquecetuba

A reportagem ouviu relatos do cotidiano do Jardim Caiuby, em Itaquaquecetuba, narrados por pessoas com mais tempo de vivência no bairro. Chamados de moradores antigos, gente que acompanha a evolução da localidade desde “os tempos idos”, e ao longo dos anos, devido suas colaborações na construção de seu desenvolvimento, elencam a própria história viva e real do bairro.

Receba as novidades direto no seu smartphone!

Entre no nosso grupo do Whatsapp e fique sempre atualizado.

Dois municípios do Alto Tietê e um impasse que de um lado mostra união e, do outro, divisão

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib

A reportagem ouviu relatos do cotidiano do Jardim Caiuby, em Itaquaquecetuba, narrados por pessoas com mais tempo de vivência no bairro. Chamados de moradores antigos, gente que acompanha a evolução da localidade desde “os tempos idos”, e ao longo dos anos, devido suas colaborações na construção de seu desenvolvimento, elencam a própria história viva e real do bairro.

Um desses personagens é o comerciante Hélio Santos Rodrigues, 48 anos, o Hélio da Lamore. O “sobrenome” vem de sua floricultura, que está em atividade há 22 anos no Caiuby. Hélio da L’amore mora em Itaquá há três décadas e está, literalmente, no grupo de pessoas que ajudaram a construir a Estrada dos Índios, em cujas margens o bairro foi crescendo.

Hélio da L’amore, comerciante

“Em 1990 eu trabalhava em uma loja de materiais de construção quando começaram a pavimentar a estrada. Naquela época vendi muito material para a obra”, recorda. “Aqui na parte alta, onde montei a loja, era puro barro”, lembra. “Hoje o Caiuby é essa potência toda, tem o segundo maior comércio da cidade”, afirma, citando um centro comercial forte e diversificado, cujo movimento é intenso.

O fluxo de pessoas e veículos é volumoso. Não para e a história corre com eles. “Cheguei em Itaquá no dia 30 de junho de 1990, a cidade me acolheu, tenho uma história nela. Principalmente aqui que foi a minha base, constitui família, filhos e netos. Hoje estamos sob a pandemia, mas não paramos. Nós nos reinventamos, graças a Deus estamos seguindo em frente.”

Luta

Há 44 anos morando em Itaquá, na região do Caiuby, o tapeceiro Jorge José de Souza, 59, é um líder comunitário que trava lutas ferrenhas pela melhoria da localidade e da própria cidade. “O bairro é ótimo, gente trabalhadora, simples e de muito valor. Brigamos pelo nosso reconhecimento como cidadãos, pelos nossos direitos que precisam ser respeitados pelo poder público.”

Como um dos diretores da Auti (Associação de Usuários de Transporte Coletivos do Alto Tietê), entidade voltada a buscar a melhoria do sistema de transporte público no município, ele cita um caso antigo e um problema atual que intranquiliza os moradores do bairro e da própria cidade, que trafegam pela Estrada dos Índios.

Jorge Souza, líder comunitário

“Tinha um ônibus intermunicipal que passava aqui, levava trabalhadores para Arujá, mas o ‘condomínio’ brigou até conseguir desativar a linha”, lembrou. “Agora, querem impedir a passagem de veículos, ‘fechando’ a estrada. Se acontecer, vai prejudicar moradores de Itaquá e de Arujá. A estrada é para todos, ricos e pobres, e ninguém pode impedir o direito de ir e vir, a Constituição é clara nisso”, afirma Jorge.

Moradores das duas cidades e trabalhadores de diversos segmentos articulam movimentos pelo não “fechamento” da via de acesso, e o problema envolve a classe política itaquaquecetubense e arujaense. Pelo lado de Arujá, um decreto municipal de 2015 defende o fechamento da pista. Do lado de Itaquá, o atual prefeito Eduardo Boigues (PP) é contra a separação dos dois municípios por “cancelas”. Ele quer que a cidade continue transitando livre, sem correntes.

O tema fronteiriço deve se estender por mais alguns quilômetros, e só findar quando houver consenso que o sol é para todos e a cidadania não pode ser barrada pelo capricho de uns acharem que têm direitos especiais em detrimento de outros, porque, teoricamente, todos são iguais perante a lei e a justiça.

De Cuiabá a Caiuby: bairro nasceu na ‘inauguração’ da sombria ditadura militar

Para alguns temas acerca da “identidade” do Jardim Caiuby recorremos ao professor e historiador Claudio Sousa, que tem farto material histórico de Itaquaquecetuba.

Confira texto apresentado por ele: “No século 19, a Freguesia de Itaquaquecetuba era dividida em 7 Quarteirões. O bairro do Cuiabá, que era uma imensa área rural, fazia parte do 5º Quarteirão, e deu origem a aproximadamente 15 bairros, incluindo os condomínios Arujazinho II e III.

Do antigo Cuiabá surgiu, em 1964, o loteamento do Jardim Caiuby. No mesmo ano em que se instalou no Brasil o governo ditatorial dos militares. Oriundo de um golpe, a ditadura durou 21 anos. Foram anos de prisões, torturas, mortes e desaparecimentos de oposicionistas.

O Jardim Caiuby começou a ser loteado por Armando Franco Soares Caiuby. Posteriormente, em 1968, Armando Franco foi denunciado no Congresso Nacional, em Brasília, sendo acusado de ser grileiro – a definição serve a quem se apodera ou procura se apossar de terras alheias, mediante falsas escrituras de propriedade.

A Estrada dos Índios inicia no Jardim Caiuby, atravessa os Condomínios Arujazinho e segue até Arujá. Ela é mais antiga que a própria Estrada de Santa Isabel – aberta em 1925 – e já existia quando o Condomínio Arujazinho iniciou a venda dos lotes, por volta do ano de 1950.

O geógrafo Aziz Ab’Saber escreveu um artigo, “A Região de Santa Isabel”, no qual afirma que o Arujazinho estava em plena fase de venda de lotes. O artigo foi escrito em 1951 e publicado em 1953. A manobra de Arujá foi mudar o nome da Estrada dos Índios para Alameda Capelinha.”

Compartilhe com Todos!
Facebook
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fique Informado!

Siga a Gazeta

Leia Também

Publicidade